quinta-feira, julho 19, 2018

A (falta) de militância dos professores universitários vista à luz da atualidade

De todas as classes profissionais é seguramente a dos professores universitários a que menos reivindica. Há posturas que outras classes assumem que já ultrapassam o surreal e os professores nem sequer conseguiram juntar 50 professores para protestar junto da reitoria pelo cumprimento de um seu direito, o das progressões. Por exemplo, os enfermeiros reivindicaram as 35 horas de trabalho, reduzindo das 40 horas impostas pelo governo Passos Coelho durante a crise. Agora denunciam que dezenas de camas foram eliminadas dos hospitais por causa das 35 horas. Em que ficamos? Não queriam as 35 horas? Os médicos queriam melhores condições porque não aguentam mais as situações nas urgências, em hospitais públicos, devido á falta de médicos, nomeadamente especialistas. Mas, não foram eles que exigiam que médicos com mais de 55 anos, os mais experientes especialistas, não fizessem urgências? Os magistrados, leia-se os juízes, queriam um estatuto novo que lhes dessem maior independência face ao poder político entre outras alterações e melhorias. Foi tudo aprovado pela ministra...menos o aumento de salários. Assim não serve para os magistrados, e estão outra vez a ameaçar greve. Mas então, não eram os estatutos? Ou era afinal mais dinheiro que os magistrados queriam? Que o dissessem logo em vez de andar com rodeios...ficariam alguns a ganhar mais que o primeiro ministro o que não é possível segundo a lei, mas afinal esta lei não é para se cumprir... pelos juízes. Todas as outras são. Há muitos mais exemplos. O dos professores do secundário que mesmo sem avaliações querem progressões. Afinal esta até mão é de admirar, pois…nunca quiseram ser avaliados. E continuam a fazer grandes manifestações, convencidos que estão cheios de razão, para ultrapassarem com tempos mais curtos de progressão, outras classes que…foram avaliadas. Tiveram redução de turmas, colocações como queriam com a integração dos contatados sem vínculo, recuperaram como todos os funcionários públicos dos cortes que tiveram desde o governo de Sócrates e os subsídios de férias e natal que lhes foram cortados, quando começou de facto a crise em 2009, mas afinal ainda está por cumprir o mais importante, a progressão automática nas carreiras…por via do envelhecimento. E ainda há outras classes que se poderão juntar a esta lista, menos uma, a dos professores universitários. Alguns colegas já aventaram hipóteses para este fenómeno de falta de militância dos professores universitários, como o complexo da imagem que pensam que têm de privilegiados, mas mesmo esta hipótese peca por não explicar tudo. É um mistério que dura há décadas.

sábado, junho 02, 2018

A confusão das avaliações no CRUP e na UM

Numa carta dirigida aos professores, vem o reitor da Universidade do Minho, explicar a razão da falta de atuação da UM no que respeita a cumprir o que está estipulado na lei sobre a progressão da carreira dos professores. Depois de explicar a posição do CRUP, Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, faz um enquadramento da atuação da UM que tal como as outras universidades, se escusam a atualizar os salários com base na progressão por o Governo não contemplar essa despesa no orçamento para as Universidade. Foi decidido pelo CRUP, que seriam pagos aqueles professores que tiveram o máximo de classificação nos seis anos seguidos de avaliação. Não diz quais são esses anos embora se adivinhe que sejam os entre 2012 a2017, inclusive. A informação do reitor está confusa e merecia no mínimo de uma explicação ou esclarecimento de dúvidas, aos professores, num assunto que é de máxima importância para a motivação dos professores. Se não há informação sobre aquilo que os professores acham que lhes é devido, mas por outro lado, há um cumprimento de outras obrigações para outros grupos profissionais da UM, como sejam os funcionários, e bem, com o cumprimento do SIADAP, também com base nas avaliações, e com os precários com a sua integração na função pública e até com a contratação de alguns investigadores, cumprindo o que está estipulado pela FCT, então será de elementar justiça explicar o porquê desta diferença de tratamento. É-nos explicado que é por falta de verbas, por o governo, segundo o CRUP só ter assegurado aproximadamente 60% das verbas correspondentes às progressões. Talvez por isso o CRUP tenha decidido propor só avançar com o pagamento daqueles que tiveram excelente em duas avaliações seguidas, que corresponderia a 60% do orçamento para esse fim. Só que, como já foi escrito por um nosso colega na UM-net, o regulamento, como qualquer regulamento, ou se cumpre ou não se cumpre. Não pode ser cumprido só para alguns e os outros, que esperem. Ainda para mais, quando houve tantas falhas nas avaliações, sem preverem quotas para os mais bem classificados, começando pelas classificações de excelente, e mal distribuídos, e segundo consta, havendo departamentos, até Escolas/Faculdades inteiras com classificação de excelente, num claro abuso do objetivo de todo este processo e abusando do facto de não haver quotas. Sendo assim, o que era do conhecimento do CRUP, como é que se escolhe precisamente aquela classe em que náo houve objetividade na classificação, a classe dos excelentes, para se lhe atribuir a progressão na carreira deixando os outros que foram avaliados "a sério" para trás? Não se consegue perceber a lógica, mas com as Universidades e seus sindicatos, nunca se consegue perceber se as questões laborais são a sério ou não. Pelo menos não são tratadas como tal.

sábado, maio 26, 2018

O ministro ambíguo e os amigos do seu RJIES- uma teoria

Circula uma petição sobre a investigação e os investigadores. Há queixas de burocracia, avaliações mas sobretudo da precariedade das carreiras de investigadores. O ministro Manuel Heitor assinou a petição, algo inusitado e surreal. Não faz sentido um ministro assinar algo que critica o seu ministério e o governo de que ele faz parte. Tem sorte do primeiro-ministro ser um político de consensos e que não está no ADN dele demitir ministros. Mas quais serão as razões desta atitude do ministro? Ele responde que assinou como professor universitário e não como ministro. Então estamos com um caso de Jeckyll e Hyde, em que ele às segundas, quartas e sextas é ministro, e às terças, quintas e sábados é professor investigador. Este ministro tomou algumas medidas positivas, como sendo o arranque de laboratórios colaborativos criados entre empresas e universidades com o apoio da FCT e o programa de contratação de investigadores. Este ministro no entanto tem outras contradições como seja a do corte de número clausus em algumas universidades. Numa atitude inesperada, aparentemente para defender as universidades do interior, a que já me referi neste sítio noutra ocasião, cortou números cláusus nas universidades ditas do litoral para desviar alunos para as do interior. É no entanto uma definição de interior e litoral um pouco enviesada, uma vez que nem na Universidade de Aveiro, junto ao mar, nem na Universidade do Minho a meia hora da costa por autoestrada, houve corte de vagas. Uma das razões destas contradições pode ser as amizades que criou no seu percurso académico e de governo. Assim, o ministro Manuel Heitor, tem-se mostrado ativo em apoiar determinadas figuras que o apoiaram no passado, o que pode explicar o seu apoio à petição de investigadores e professores. Há também contradições nos laboratórios colaborativos, que seriam para dinamizar o interior e no entanto o maior de todos, o Laboratório Colaborativo em Transformação digital, já é no Minho, em Guimarães e coordenado pela UM com o ex-reitor como diretor. O bom entendimento que teve com António Cunha, ex-reitor da UM e principalmente como ex-presidente do CRUP, terá alguma coisa a ver com esta escolha? Qual foi o apoio de A. Cunha ao ministro? Há o RJIES, que tanta polémica tem causado, e que na vertente de Fundação foi elogiado inúmeras vezes pelo ex-reitor António Cunha até que conseguiu dentro da UM fazer passar a mensagem, conseguindo que a UM passasse a Fundação. Seria mais do interesse da UM a passagem a Fundação, na perspetiva de A. Cunha, que do ministro, a passagem da UM a Fundação, por isso não será só por essa razão. Mas em relação ao RJIES, lembro-me de uma sessão de esclarecimento no campus de Azurém, penso que na perspetiva das eleições para o Conselho Geral, em que numa pergunta minha sobre se o RJIES estava em discussão nesta eleição, António Cunha respondeu veementemente que não, não estava em discussão. Nesta defesa do RJIES pelo líder máximo da instituição, não é possível sequer discutir o RJIES na UM, com tão influente e veemente apoio manifestado desta forma quase violenta. O RJIES é o mais antidemocrático regulamento de sempre do Ensino Superior, desde a implantação da democracia em Portugal no 25 de Abril. Sobre o RJIES já escrevi bastante, criticando-o amplamente, mas sobretudo por não permitir a eleição direta do reitor e não ter representatividade ponderada dos vários corpos que compõem a universidade, nomeadamente o desequilíbrio entre o número de professores e alunos por um lado e funcionários por outro. Sobre a Fundação também já me exprimi neste espaço de opinião, e também há muito que dizer, sem esquecer a vertente mercantilista das Fundações. Observação: este texto já foi alterado várias vezes na tentativa de chegar a uma conclusão lógica sobre estes últimos acontecimentos intrigantes, no Ministério da Ciência e Ensino Superior, mas mesmo assim há aspetos que não são ainda para mim completamente claros. Por isso, não nego que poderei alterar num próximo post, algumas destas suposições que nesta versão adianto.

quarta-feira, maio 23, 2018

Morreu Philip Roth- viva a sua obra

Philip Roth morreu hoje, mas a sua obra sobreviverá durante muitos anos. Ombreando com John Updike, e tal como ele, Philip Roth é daqueles escritores que dá gosto ler, não só pelos livros que escreveu, extraordinários, mas também porque viveu esses livros. No caso de Philip Roth, sendo judeu, numa época em que não existia Israel, os seus primeiros livros eram sobre judeus de alguma forma discriminados, nos Estados Unidos, coisa que hoje em dia até parece caricato, uma vez que os judeus são já de há muito, uma classe religiosa, altamente considerada, seja pela influência que detém, seja pelo seu peso eleitoral. Invariavelmente as personagens principais são judeus, tal como O Complexo de Portnoy, um livro sobre as vivências de um rapaz judeu em Nova Jersey na época da segunda grande guerra, quando existia uma grande comunidade judaica nessa cidade, junto a Nova Iorque, mais precisamente Newark. Curiosamente, talvez seja esta a única ligação a Portugal que podemos extrapolar, porque sucederam aos judeus os emigrantes portugueses, que povoaram os lugares que vêm descritos neste e noutros livros passados em Nova Jersey, como a Pastoral Americana. Neste livro, curiosamente, o judeu é loiro e alto, confundido com um nórdico, um atleta em jovem, que todos os outros judeus admiram, e depois um homem de negócios com uma pequena empresa de produção de meias, portanto um pequeno industrial que ascendeu a um lugar acima da classe de trabalhadores emigrantes judeus. O livro é depois sobre a filha, que é rebelde e se vê envolvida num movimento rebelde que a faz colocar uma bomba na estação de correios local, como protesto contra o "establishment", A partir desse evento, o pai, homem endeusado pelos seus conterrâneos procura remediar o mal feito de todas as maneiras sendo que não o conseguindo chega a um fim trágico. Vale a pena ler o livro, e colocarmo-nos na posição deste pai aflito, que soube lidar com tudo e ser bem sucedido em tudo o que se meteu, menos com esta situação de humilhação a que não tem como aceitar. Outros livros interessantes, são o Plot against America (tradução Conspiração contra a América) sobre uma situação em que os Estados Unidos são aos poucos transformados num país semelhante ao que a Alemanha nazi, antes da guerra, em que os judeus eram perseguidos. Na América, o equivalente ao Hitler, foi Lindberg que ascendeu a Presidente devido a ser um homem que tocava o imaginário dos americano por ter atravessado o atlântico num voo solitário, sendo o primeiro a fazê-lo. Embora uma forma mais suave de xenofobia, nomeadamente em relação aos judeus, impressiona pela inevitabilidade do que se adivinham ser os próximos passos, tais como envio de judeus para trabalhos forçados nos campos. O que é ficção confunde-se neste livro com a política real desses tempos, que foi dominada pelo Macartismo, com a perseguição de muito suposto comunistas, entre eles muitos judeus, e que está personificado no seu livro “I married a communist”. Curiosamente num dos seus melhores e mais conhecidos livros, Human Stain, (Mancha Humana), o racismo acompanha os tempos, neste caso um racismo virtual contra negros, mais concretamente estudantes negros. O politicamente correto, nesta caso como em muitos que se sucedem ao longo dos anos seguintes, numa sociedade com complexos e que procura compensar os erros do passado, leva a que um homem que não é racista seja acusado de o ser, por inadvertidamente ter feito um comentário numa aula em relação a dois estudantes negros, sem intenção. Valeu-lhe no entanto a expulsão da universidade e a perseguição ao longo da vida devido a este episódio. Outros livros mais recentes já versam quase só sobre adultos sem a saga familiar de acompanhamento desde crianças até adultos. O Teatro de Sabbath por exemplo, tem um cunho muito machista que hoje seria pouco tolerado, embora seja também talvez o livro de maior cariz erótico de Philip Roth. Este e de outros livros mais recentes de Philip Roth valeram-lhe, erradamente a meu ver, a fama de machista. O padrão de escrever livros sobre homens mais velhos, acompanha o envelhecer de Philip Roth, culminando em Nemesis o seu último livro que é uma espécie de adeus de Phylip Roth antecipando a sua própria morte ao evocar a sua infância. Assim acabou uma vida cheia de memórias de um homem que as escreve na forma de ficção, melhor do que qualquer outro seu contemporâneo.

domingo, maio 13, 2018

O interior do norte do país e as novas medidas para o ensino superior

As universidades e politécnicos do interior norte, localizadas nas maiores cidades, como Bragança e Vila Real, têm dado um contributo muito positivo para o desenvolvimento local. No entanto esses diplomados não ficam. Vêm para o litoral acabar a sua formação, com um Mestrado, ou então emigram, já com o canudo de enfermeira ou coisa parecida. Por isso, a "discriminação positiva" que o Ministro da Educação está a propor, ao aumentar os numerus clausus das Universidades do interior, em detrimento das do litoral, é coisa que não vai influenciar em nada o desenvolvimento do interior. O que desenvolve o interior, são medidas como a melhoria dos acessos por estrada e ferrovia, e o investimento em serviços públicos tais com os hospitais e o aumento do número de médicos nesses hospitais, por exemplo. O investimento em estradas já foi em grande parte feito, e dos acessos também, culminando com a abertura do túnel do Marão. A ferrovia está-se a fazer, mas muito devagar. Há o comboio entre a Guarda e a Covilhã e pouco mais. Acessos e serviços públicos ajudam, mas o que realmente ajudará será a fixação de empresas, incluindo as agrícolas, no interior. Se o vinho do Porto deu um fôlego àquelas zonas de cultivo do vinho, o mesmo poderia acontecer a outras culturas, como a amêndoa, a castanha, entre outras que são mencionadas como de alto valor acrescentado. O azeite será outra cultura que interessa apoiar, mas sem descaracterizá-lo como está a acontecer no Alentejo com oliveiras de rápido crescimento. Muitos destes investimentos no Alentejo foram consequência do Alqueva, mudando a cultura de sequeiro por cultura de regadio, estranha à região mas que permitiu maiores e até novas culturas. Esse interior, o Alentejo, está no entanto na mesma situação que o interior norte, envelhecido e sem outros investimentos, fora os mencionados e algumas bolsas de investimento em cidades como Évora. Resumindo, não será com aumento de números cláusus e outras medidas paleativas que se desenvolve o interior. Só com um programa muto mais amplo de apoios, nomeadamente às empresas, se poderá desenvolver aquilo a que se designa por interior do país. Medidas como a baixa de impostos, junto com os programas que já existem à contratação, poderiam fazer a diferença. O ensino podia estar mais ligado à realidade do interior, com cursos mais virado para a agricultura, o que já acontece em Vila Real, mas também a indústrias transformadoras de produtos agrícolas. Outras especialidades, muito viradas para a investigação, poderiam ser mais viradas para cursos de engenharia alimentar para pôr em prática a ciência que se ensina nessas Universidades. Com a nova orientação politica para cursos de três anos com orientação prática em vez dos Mestrados Integrados em engenharia, a meu ver uma medida positiva, é possível ter cursos de engenharia nestas áreas e já com uma orientação mais virada para a realidade do interior do País.

sexta-feira, abril 06, 2018

Progressões na carreira desvirtuadas

A progressão na carreira dos professores universitários está empatada por uma questão que dá que pensar: não houve um regime de quotas na atribuição da classificação resultante do processo de avaliação. Como é que é possível que todo este processo que durou anos, tivesse sido efetuado desta forma, sem qualquer controlo ou comparação de resultados entre faculdades e entre universidades, que pudesse detetar eventuais abusos na avaliação. Consta que há casos de Escolas/Faculdades que tiveram 100% de classificação excelente! Para haver justiça em relação aos outros professores que tiveram noutras Escola/Faculdades uma classificação rigorosa e que não atingiram esse valor, deveria ser feita uma avaliação às...avaliações. Talvez um organismo independente poderia exigir uma nova avaliação a todos esses anos abrangidos por avaliações inflacionadas. Não será fácil, e é provável que o governo faça tábua rasa das avaliações e das duas uma, ou pura e simplesmente não as comtemple, ou considerará 1 ponto por ano para todos. Seria este o castigo por uma indisciplina total nas avaliações das universidades, com responsabilidades acrescidas para os reitores dessas universidades que homologaram estes resultados. Mais uma vez, o oportunismo de alguns, resulta no projuízo de muitos mais.

sábado, março 24, 2018

Entrada e progressão para doutoramento

Parece que quanto mais difícil é a progressão na carreira dos professores, mais fácil é a progressão dos alunos (alguns) para o grau de doutoramento...È o sinal dos tempos. A progressão na carreira depende do esforço dos professores em reclamarem aquilo a que têm direito, o que não tem acontecido. A progressão para doutoramento parece depender só de quem gere os programas doutorais, sem qualquer outro controlo. Decidem sobre aceitação de candidatos mesmo que seja algo que será obviamente irregular, ainda que legal. Basta que os estatutos dos programas doutorais sejam tão abrangentes que aceitam qualquer especialidade como condição de entrada, sem haver necessidade de aval superior, ou por parte da Escola a que pertence o centro, ou mesmo por parte do Conselho de Escola ou do Conselho Geral (que aprova doutoramentos). Assim, temos doutoramentos para todos, sem necessidade de disciplinas nucleares que são também designadas por específicas no caso do acesso à Universidade. No caso que conheço, porque apareceram na minha UC há umas semanas, um grupo de 4 alunos com formação em gestão e outros em design, afirmaram que estavam ali porque a UC iria fazer parte do seu programa doutoral, Quando questionados qual o programa doutoral, qual não foi o meu espanto quando responderam que era em Engenharia Têxtil. Ainda perguntei se não seria em Design de Moda, que existe também no Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil, 2C2T, e percebi que coloquei o dedo na ferida, ao avisá-los que teriam que estudar bastante uma vez que não teriam as bases para um doutoramento em Engenharia. Não mais frequentaram a minha UC, de Acabamentos Funcionais, tendo uma das alunas(!?) me informado por e-mail que afinal esta UC não fazia parte do currículo do programa doutoral (?!). Parece que os alunos é que determinam o que necessitam de frequentar...Tendo-me certificado junto do Diretor do Centro 2C2T que de facto é uma UC nuclear do programa doutoral, pergunto: que esquema é este? Um aluno que queira entrar na licenciatura em engenharia têxtil precisa de matemática e química ou física e para doutoramento, não precisa? É de facto uma situação singular e altamente preocupante. Vamos ter doutoramentos com uma designação que não vai corresponder ao que realmente se estudou e investigou, uma vez que sem as bases científicas não será possível fazer investigação a nível de doutoramento. Talvez, na realidade estes alunos façam um doutoramento em Design de Moda, afinal só que terá outra designação. Será que há ainda a possibilidade em Centros de I&D heterogéneos, como é o caso do 2C2T de ter um júri de Design de Moda a aprovar um doutoramento em Engenharia Têxtil? Fazendo parte do mesmo centro professores de ambas as especialidades, possível, é. Vamos ver na altura que júris serão propostos. Como já tivemos um caso no passado de plágio em doutoramentos de Design e Marketing neste Centro, muito divulgado nos media de então, penso que se devia ter mais cuidado para não colocar de novo o nome do Centro nos media pelas piores razões, mas parece que não se aprende com o passado, cometendo os responsáveis do Centro 2C2T, nomeadamente a Comissão do curso do programa doutoral em engenharia têxtil, erros de "casting" grosseiros, em programas tão importantes para o nível científico do Centro e do Departamento, como os programas doutorais. Suspeito que há outros casos como este noutros centros de I&D da UM, e compete aos membros desses centros de os denunciar, a bem da justiça académica. Não é justo para outros que tanto trabalho tiveram a aceder a um doutoramento numa área que ambicionam frequentar, especializando-se de acordo com os requisitos para o fazer, verem outros entrarem com base noutros critérios de maior tolerância, ou mesmo facilitismo em alguns casos.Também será difícil os orientadores destas teses poderem ter um a produção científica relevante com esta "matéria prima", mas esse será outro problema que persiste e terá que ser objeto de outro tipo de análise mais aprofundada, sob pena do Centro vir a baixar e muito a sua classificação nas próximas avaliações pela FCT.