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domingo, maio 13, 2018
O interior do norte do país e as novas medidas para o ensino superior
As universidades e politécnicos do interior norte, localizadas nas maiores cidades, como Bragança e Vila Real, têm dado um contributo muito positivo para o desenvolvimento local. No entanto esses diplomados não ficam. Vêm para o litoral acabar a sua formação, com um Mestrado, ou então emigram, já com o canudo de enfermeira ou coisa parecida. Por isso, a "discriminação positiva" que o Ministro da Educação está a propor, ao aumentar os numerus clausus das Universidades do interior, em detrimento das do litoral, é coisa que não vai influenciar em nada o desenvolvimento do interior. O que desenvolve o interior, são medidas como a melhoria dos acessos por estrada e ferrovia, e o investimento em serviços públicos tais com os hospitais e o aumento do número de médicos nesses hospitais, por exemplo. O investimento em estradas já foi em grande parte feito, e dos acessos também, culminando com a abertura do túnel do Marão. A ferrovia está-se a fazer, mas muito devagar. Há o comboio entre a Guarda e a Covilhã e pouco mais. Acessos e serviços públicos ajudam, mas o que realmente ajudará será a fixação de empresas, incluindo as agrícolas, no interior. Se o vinho do Porto deu um fôlego àquelas zonas de cultivo do vinho, o mesmo poderia acontecer a outras culturas, como a amêndoa, a castanha, entre outras que são mencionadas como de alto valor acrescentado. O azeite será outra cultura que interessa apoiar, mas sem descaracterizá-lo como está a acontecer no Alentejo com oliveiras de rápido crescimento. Muitos destes investimentos no Alentejo foram consequência do Alqueva, mudando a cultura de sequeiro por cultura de regadio, estranha à região mas que permitiu maiores e até novas culturas. Esse interior, o Alentejo, está no entanto na mesma situação que o interior norte, envelhecido e sem outros investimentos, fora os mencionados e algumas bolsas de investimento em cidades como Évora. Resumindo, não será com aumento de números cláusus e outras medidas paleativas que se desenvolve o interior. Só com um programa muto mais amplo de apoios, nomeadamente às empresas, se poderá desenvolver aquilo a que se designa por interior do país. Medidas como a baixa de impostos, junto com os programas que já existem à contratação, poderiam fazer a diferença. O ensino podia estar mais ligado à realidade do interior, com cursos mais virado para a agricultura, o que já acontece em Vila Real, mas também a indústrias transformadoras de produtos agrícolas. Outras especialidades, muito viradas para a investigação, poderiam ser mais viradas para cursos de engenharia alimentar para pôr em prática a ciência que se ensina nessas Universidades. Com a nova orientação politica para cursos de três anos com orientação prática em vez dos Mestrados Integrados em engenharia, a meu ver uma medida positiva, é possível ter cursos de engenharia nestas áreas e já com uma orientação mais virada para a realidade do interior do País.
sábado, março 24, 2018
Entrada e progressão para doutoramento
Parece que quanto mais difícil é a progressão na carreira dos professores, mais fácil é a progressão dos alunos (alguns) para o grau de doutoramento...È o sinal dos tempos. A progressão na carreira depende do esforço dos professores em reclamarem aquilo a que têm direito, o que não tem acontecido. A progressão para doutoramento parece depender só de quem gere os programas doutorais, sem qualquer outro controlo. Decidem sobre aceitação de candidatos mesmo que seja algo que será obviamente irregular, ainda que legal. Basta que os estatutos dos programas doutorais sejam tão abrangentes que aceitam qualquer especialidade como condição de entrada, sem haver necessidade de aval superior, ou por parte da Escola a que pertence o centro, ou mesmo por parte do Conselho de Escola ou do Conselho Geral (que aprova doutoramentos). Assim, temos doutoramentos para todos, sem necessidade de disciplinas nucleares que são também designadas por específicas no caso do acesso à Universidade. No caso que conheço, porque apareceram na minha UC há umas semanas, um grupo de 4 alunos com formação em gestão e outros em design, afirmaram que estavam ali porque a UC iria fazer parte do seu programa doutoral, Quando questionados qual o programa doutoral, qual não foi o meu espanto quando responderam que era em Engenharia Têxtil. Ainda perguntei se não seria em Design de Moda, que existe também no Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil, 2C2T, e percebi que coloquei o dedo na ferida, ao avisá-los que teriam que estudar bastante uma vez que não teriam as bases para um doutoramento em Engenharia. Não mais frequentaram a minha UC, de Acabamentos Funcionais, tendo uma das alunas(!?) me informado por e-mail que afinal esta UC não fazia parte do currículo do programa doutoral (?!). Parece que os alunos é que determinam o que necessitam de frequentar...Tendo-me certificado junto do Diretor do Centro 2C2T que de facto é uma UC nuclear do programa doutoral, pergunto: que esquema é este?
Um aluno que queira entrar na licenciatura em engenharia têxtil precisa de matemática e química ou física e para doutoramento, não precisa? É de facto uma situação singular e altamente preocupante.
Vamos ter doutoramentos com uma designação que não vai corresponder ao que realmente se estudou e investigou, uma vez que sem as bases científicas não será possível fazer investigação a nível de doutoramento. Talvez, na realidade estes alunos façam um doutoramento em Design de Moda, afinal só que terá outra designação. Será que há ainda a possibilidade em Centros de I&D heterogéneos, como é o caso do 2C2T de ter um júri de Design de Moda a aprovar um doutoramento em Engenharia Têxtil? Fazendo parte do mesmo centro professores de ambas as especialidades, possível, é. Vamos ver na altura que júris serão propostos. Como já tivemos um caso no passado de plágio em doutoramentos de Design e Marketing neste Centro, muito divulgado nos media de então, penso que se devia ter mais cuidado para não colocar de novo o nome do Centro nos media pelas piores razões, mas parece que não se aprende com o passado, cometendo os responsáveis do Centro 2C2T, nomeadamente a Comissão do curso do programa doutoral em engenharia têxtil, erros de "casting" grosseiros, em programas tão importantes para o nível científico do Centro e do Departamento, como os programas doutorais. Suspeito que há outros casos como este noutros centros de I&D da UM, e compete aos membros desses centros de os denunciar, a bem da justiça académica. Não é justo para outros que tanto trabalho tiveram a aceder a um doutoramento numa área que ambicionam frequentar, especializando-se de acordo com os requisitos para o fazer, verem outros entrarem com base noutros critérios de maior tolerância, ou mesmo facilitismo em alguns casos.Também será difícil os orientadores destas teses poderem ter um a produção científica relevante com esta "matéria prima", mas esse será outro problema que persiste e terá que ser objeto de outro tipo de análise mais aprofundada, sob pena do Centro vir a baixar e muito a sua classificação nas próximas avaliações pela FCT.
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terça-feira, fevereiro 20, 2018
Uma Auto-estrada para os Mestrados e Doutoramentos
O Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior apresentou o que pode ser considerada uma revolução na investigação do ensino superior, com base num estudo da OCDE, ao instituir doutoramentos nos politécnicos, entre outras medidas. Fê-lo à revelia do CRUP, o conselho de reitores das universidades, embora tivesse segundo afirma tido discussões sobre o assunto com este órgão. Não se entende esta pressa e esta decisão unilateral, com a oposição de um órgão que representa as universidades, seja esta tomada de posição boa ou má. Claro que foi logo aplaudida pelos politécnicos, e pelo sindicato do ensino superior onde tanto o presidente como a maioria dos militantes são professores de politécnicos. Não quero com isto dizer que não seja uma medida positiva, desde que com as devidas cautelas, que o ministro afirma ser condição para esta medida ser autorizada nos politécnicos e agora alargada às universidades: que tenham capacidade científica na área para poderem ser candidatos a orientarem doutoramentos. Faz sentido. E concretiza a nova medida com o mínimo de classificação dos centros de investigação de Muito Bom.
O problema não é só a capacidade científica dos professores. É também a dos candidatos. Para encherem os seus cursos, não será que as universidades estão a facilitar os acessos aso doutoramentos? Isso será mais evidente com as admissões de alunos estrangeiros inseridos em protocolos entre universidades, como aqui já foi referido. Mas não só. Não é preciso ir fora de portas para encontrarmos situações caricatas de alunos sem as bases para frequentarem uma licenciatura por não terem as disciplinas específicas, frequentarem Mestrados e Doutoramentos na mesma área, sem essas mesmas disciplinas específicas. Cada colega que olha para o seu próprio centro e departamento e descobrirá casos destes.
Estes Mestres e doutores, são desta forma convertidos em engenheiros, por exemplo, sem o poderem ser na licenciatura.
Com o fim dos Mestrados Integrados, com o argumento da aplicação de Bolonha, outra das medidas anunciadas, será mais um incentivo para isso acontecer. Licenciados sem as matemáticas passsarão a engenheiros, que não vão conseguir fazer projetos de engenharia por não terem as bases. Passarão a doutores, sem terem as bases para poderem trabalhar na indústria. Ficarão mais longe de poderem ser integrados na indústria e longe de poderem participar na Inovação tão propalada que não vai acontecer.
O problema não é só a capacidade científica dos professores. É também a dos candidatos. Para encherem os seus cursos, não será que as universidades estão a facilitar os acessos aso doutoramentos? Isso será mais evidente com as admissões de alunos estrangeiros inseridos em protocolos entre universidades, como aqui já foi referido. Mas não só. Não é preciso ir fora de portas para encontrarmos situações caricatas de alunos sem as bases para frequentarem uma licenciatura por não terem as disciplinas específicas, frequentarem Mestrados e Doutoramentos na mesma área, sem essas mesmas disciplinas específicas. Cada colega que olha para o seu próprio centro e departamento e descobrirá casos destes.
Estes Mestres e doutores, são desta forma convertidos em engenheiros, por exemplo, sem o poderem ser na licenciatura.
Com o fim dos Mestrados Integrados, com o argumento da aplicação de Bolonha, outra das medidas anunciadas, será mais um incentivo para isso acontecer. Licenciados sem as matemáticas passsarão a engenheiros, que não vão conseguir fazer projetos de engenharia por não terem as bases. Passarão a doutores, sem terem as bases para poderem trabalhar na indústria. Ficarão mais longe de poderem ser integrados na indústria e longe de poderem participar na Inovação tão propalada que não vai acontecer.
segunda-feira, setembro 18, 2017
As praxes sem controlo
Agora que as féria acabaram e as aulas começaram, temos as notícias do costume no que respeita ao ensino superior. Número de alunos que entraram, que este ano subiu enchendo a maior parte dos cursos, e a praxe. Vamos à praxe. Todos os anos há abusos nas praxes, e todos os anos comentamos esses abusos e lamentamos que quase tudo fique na mesma. Este ano não vou fazer comentários sobre os alunos. A prática da praxe já está enraizada, muito por culpa e complacência das Universidades, e para acabar com a praxe teriam que se tomar providências que afetariam toda a estrutura estudantil. As universidades não teriam coragem de fazer um "clean start" que seria necessário para alcançar o fim da praxe. Também teria que haver uma mudança de mentalidades dos alunos, o que não é possível num curto espaço de tempo. Por isso é melhor as universidades não terem a veleidade de poder fazer mudanças profundas agora. Limitem-se a impedir o pior das praxes evitando abusos maiores e não façam promessas que cheiram a propaganda. Se querem acabar a sério com a praxe, iniciem desde já um programa sério de reuniões, workshops, para talvez para o ano se iniciar um ano diferente, com um ano de transição para uma universidade sem praxes.
Já muito foi dito das praxes e das tradições académicas. Elas complementam-se, e a praxe escuda-se muito nas tradições. No caso da maior parte das universidades as tradições são muito recentes e baseiam-se já na iniciação dos alunos e não propriamente em tradições académicas. A praxe é muito baseada no respeito pelas hierarquias, ou melhor, na submissão dos mais novos aos mais velhos. Nos colégios privado ingleses, os alunos têm uma hierarquia em que há prefeitos que tem poder sobre os alunos mais novos. Este sistema foi imitado por muitos colégios em muitos países, incluindo Portugal. Mas os alunos têm este sistema instituído dentro dos regulamentos dos colégios e ele é controlado à distância pelos professores, que mantêm um certo equilíbrio que protege na medida do possível os mais novos. Quando passamos para o nível do ensino superior, esta proteção desaparece e os alunos mais novos, os caloiros, ficam à mercê dos mais velhos, o que pode originar situações de humilhação para os caloiros que podem deixar sequelas.
Quem se importa com isso? Só quando há uma desgraça, porque de resto a "caravana passa e os cães ladram" sem mordiscarem nem um pouco a estrutura da praxe.
sexta-feira, julho 14, 2017
Estudantes a meio gás
Soubemos pela boca do vice-reitor da Universidade de Coimbra em entrevista ontem à TSF, que há Universidades entre elas a Universidade do Minho, a cobrarem metade do valor das propinas a estudantes de Erasmus, nomeadamente referindo-se a estudantes brasileiros. A Universidade de Coimbra cobra as mesmas propinas que aos estudantes portugueses, Diz ele, e bem, que estamos todos a pagar para estudantes de fora estudarem nas nossas universidades, uma vez que metade do valor das propinas não paga os custos da Universidade por aluno. Para além desse aspeto, injusto também para os estudantes nacionais que pagam as propinas por inteiro, há ainda a considerar o facilitismo que é na generalidade concedido a esses estudantes na hora de lhes atribuir uma classificação. Vejam-se os Mestrado e doutoramentos que têm convénios com Universidades brasileiras e que já referi anteriormente. Não sei qual é a intenção dos reitores destas instituições nesta abordagem aos estudantes estrangeiros e nomeadamente aos brasileiros que já representam 1 em 5 da totalidade dos estudantes, segundo a mesma fonte. Será de engordar o número de alunos fugindo aos numerus clausus e dessa forma apresentar uma universidade com mais alunos competindo desta forma no ranking das maiores universidades portuguesas? Será porque consideram que as universidades são mais atraentes a estudantes estrangeiros e por isso são melhores? É um mistério...Maior contribuição para a produção científica dificilmente será, uma vez que estes estudantes, salvo raras exceções, não permanecem o tempo suficiente para produzir algo de cientificamente válido que seja publicável nas melhores revistas internacionais.
Os estudantes devem ser todos tratados da mesma maneira e com o mesmo rigor, como é evidente. Penso que os professores e estudantes da UM, no caso que nos toca, merecem uma explicação por parte da reitoria.
domingo, março 19, 2017
Doutoramentos financiados
Numa reportagem do programa da RTP 1 "sexta às 9", dedicada a um doutoramento na Universidade de Vila Real e Trás os Montes, UTAD, encomendado por uma universidade brasileira, houve denúncias de alunos que não podiam apresentar as suas teses de doutoramento porque os serviços da Universidade não tinham registo do pagamento das suas propinas. O caso tornou-se num caso de justiça, quando se percebeu que alguns professores, tinham contas bancárias paralelas onde se depositavam valores que deveriam ir para a Universidade para pagar as propinas das alunas em causa. Mas não é esse episódio que me leva a comentar este assunto deste doutoramento. É o facto de aparentemente não ter havido orientação por parte dos orientadores e portanto das teses não terem qualidade de teses de doutoramento. Era altura de se fazer uma avaliação aos doutoramentos que existem nas universidades portuguesas financiadas por entidades brasileiras, no que respeita nomeadamente à qualidade desses mesmos doutoramentos. Nos casos como este em que os professores da Universidade recebem para orientar esses alunos, a própria universidade também recebe, não haverá um conflito de interesses na avaliação feita pela própria universidade? Não será difícil estabelecer um exame independente bastando para isso por exemplo que os doutoramentos voltassem a exigir que a maioria dos elementos do júri fossem de outras universidades, o que de momento está dependente dos regulamentos dos programas de doutoramento, não havendo nos estatutos das universidades como o da UM por exemplo, uma norma que regulamente este aspeto em particular. No ECDU também não aparece por não dizer respeito à carreira docente.
Há ainda uma questão de imagem. Nas Universidades de países como o Reino Unido ou outros muito procurados pelos alunos estrangeiros, os alunos pagam propinas, mais altas que os do país de origem ou da Comunidade Europeia no caso da Europa, mas os professores não são pagos extra para a orientação desses alunos, não havendo por isso um claro conflito de interesses quando da sua avaliação. Porquê que em Portugal é diferente? Não será algo que pode desvalorizar a nossa imagem perante outras universidades concorrentes na captação de alunos estrangeiros? Fica aqui a questão.
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segunda-feira, janeiro 02, 2017
Um Ano Novo no Ensino Superior para refletir
Entramos em 2017 com esperança de uma vida melhor, como acontece todos os anos. No que toca ao Ensino Superior, no entanto, pouco ou nada deve mudar. A julgar pela determinação do ministro e das Universidades, o RJIES continuará a regular o governo da Universidade e o modo de eleição que determina o seu governo. Há que refletir se o exemplo dos últimos 10 anos de RJIES veio melhorar alguma coisa. Já para não falar da passagem a Fundação que esperamos ainda para ver.
No que respeita aos alunos do ensino superior, continua tudo na mesma: vamos ter o mesmo número total de alunos, ou menos, e com menos saídas profissionais, o que deveria servir para fazer uma reflexão da adequação da oferta de curso na UM. Os alunos continuarão a fazer praxes fazendo perder o tempo precioso de arranque dos estudos no início do ano, e fazendo perder a paciência aos professores mais sensíveis a estas práticas (incluo-me nesse grupo). Farão ainda as suas festas de receção ao caloiro e de enterro da gata, apoiados por subsídios da UM que não serão contabilizados de uma forma rigorosa temendo-se que será dinheiro desperdiçado, melhor empregue em coisas mais relevantes para o seu futuro. Mas se os alunos são apoiados pela UM nas suas atividades, a UM não recebe em troca qualquer contrapartida. Pois se a UM e outras Universidades já se manifestaram contra o exercício das praxes, não seria de os alunos, através da sua associação de estudantes, com parte do subsídio que recebem da UM encontrar outras formas de integrar os caloiros? Ou com a sua integração em grupos de interesse em diversas atividades, desportivas ou não. Seria pedir muito que fossem atividades culturais, como por exemplo debates sobre a atualidade? Ou atividades de solidariedade? Ou atividades dedicadas ao ambiente? Afinal não será só a Universidade a quem os alunos devem dar de volta algo, também à sociedade que paga os impostos para eles poderem estudar (as propinas não pagam a totalidade do seu ensino e há ainda a considerar as bolsas que muitos recebem). Não será que os alunos também precisam de refletir sobre o que tem sido os últimos anos de desperdício do seu tempo (em praxes nomeadamente)?
Sinceramente, espero que todos reflitam neste ano de 2017 sobre estes assuntos (eu já o faço desde 2008 neste espaço de divulgação de pensamentos)!
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domingo, novembro 06, 2016
Todos os Nomes
Os politécnicos querem agora chamar-se Universidades..de Ciência Aplicadas. E as engenharias da Universidade o que são, senão ciências aplicadas? Vai aqui uma confusão...Tudo porque os Politécnicos querem subir de estatuto e querem ser Universidades. Começam por acrescentar que são só de Ciências Aplicadas. Essa extensão do nome, cairá com o uso contínuo da designação e ficarão só a ser referidas como Universidades.
É de facto um bom plano, sem custos, de elevação de estatuto. Não quero tirar o mérito aos politécnicos, e há politécnicos melhores em alguns cursos que algumas universidades, atrevo-me a dizer, que algumas privadas que conferem o grau de engenharia. No entanto, a divisão entre universidades públicas e privadas é bem clara. Esta diferenciação apenas num apêndice ao nome, ciências aplicadas, não me parece que distinga suficientemente entre os vários tipos de universidade públicas que agora se pretende instituir.
Mas como os politécnicos querem atribuir também o grau de doutor, compreende-se que está em linha com essa pretensão.
Na minha perceção sobre este assunto, demasiado sério para ser feito em cima do joelho, devia haver uma avaliação rigorosa das capacidades dos politécnicos em produzir ciência, antes de se atribuir mais funções aos politécnicos de formação superior. E se a conclusão da avaliação é que têm capacidade, então estudar-se-ia a sua promoção a universidade. Seria uma comissão de peritos que seria nomeada para o efeito, incluindo peritos estrangeiros, com curriculum científico de excelência, e não uma decisão por decreto por parte da tutela como os politécnicos pretendem. E como poderá haver politécnicos que cumprem os requisitos para o fazerem e outros não, uns passariam ao patamar superior, atribuir o grau de doutor e eventualmente também passarem a universidade, e outros não.
Chamar um nome é fácil, engana e todos os que frequentem e lhes é atribuído o grau ficam satisfeitos. Mas terão sempre o rótulo de doutoramentos de segunda, se as instituições que lhes conferem o grau não percorrerem todos os passos para terem credibilidade.
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terça-feira, outubro 25, 2016
Mais doutoramentos para quê ou para quem
De vez em quando os politécnicos lembram-se de reivindicar a autorização para atribuir grau de doutor, ou seja, "fazer doutoramentos". O ministro incentivou esta pretensão criando bolsas de investigação para os politécnicos.
Já fazerem Mestrados é duvidoso que seja essa a sua vocação, agora doutoramentos, vai com certeza contra a diferenciação intencional entre os dois subsistemas de ensino superior. Os industriais estão sempre a queixar-se que não há pessoal habilitado para as suas indústrias e que as universidades formam "doutores" (licenciatura), mas que não lhes resolvem os problemas práticos. Os politécnicos constituiriam o sistema vocacionado para esse fim. Parece que ou não está a responder cabalmente a esta pretensão das industrias, ou já não o quer fazer. As Universidades para além dos cursos serem cada vez mais teóricos, conhecendo-se o corte em equipamento e a aversão de muitos professores às aulas práticas, aliás que é geral a todo o ensino, sendo o caso mais notório o ensino secundário, aviam Mestrados e Doutoramentos quanto podem. Alguns destes doutoramentos foram transformados em programas doutorais, o que dá jeito para dar mais horas a docentes que vão ficando com menos alunos com a crise de alunos (cíclica) para os cursos de engenharia. Embora os doutoramentos já não são o que eram, ou seja, pôr à prova as capacidades individuais de um aluno já com Mestrado fazer I&D utilizando a sua iniciativa, uma vez que para além de serem ensinados em programas doutorais também fazem, em muitas áreas nomeadamente as mais científicas, doutoramentos em conjunto, através de projetos que envolvem vários investigadores, há o problema de uma formação tão específica ter interesse para o tipo de empresa que predomina em Portugal, PMEs e indústrias transformadoras sem capacidade para dar seguimento ao percurso científico destes alunos. Muitos acabam por emigrar, tendo todo o esforço feito cá em Portugal servido para outros países que não contribuíram para esse esforço. a não ser que tenha sido através de programas europeus e o país para onde vai o aluno também tivesse feito parte desse programa. Agradecem as multinacionais esta nossa generosidade, e agradecem países como os EUA, e alguns países europeus como a Alemanha e o Reino Unido. Somos parte dos países que formam doutores, mas não fazemos parte dos que os empregam como especialistas de um determinada matéria. Há exceções claro. Mas é preciso ver mesmo nessas exceções o que o doutorado vai fazer, se não serve outros interesses da empresa como angariação de mais subsídios em projetos de I&D. O próprio doutorado tem na maior parte das vezes que "esquecer" o doutoramento e fazer outra atividade para arranjar um emprego.
Não há, é verdade, no seio dos professores universitários, a perceção, que para eles é quase uma certeza embora não tenham dados em que se basear, que a investigação é para ser aplicada e muito menos em Portugal, dada a pequenez do tecido industrial tecnicamente evoluído. Por isso muita da investigação que se faz não é para ser aplicada. Mas nesse caso, é necessário formar doutores para serem eles o motor de novas indústrias e empresas de outra índole que não industrial. Porém estes doutores, numa visão de "pay-back" ao país que tanto investiu nesses alunos, devem ter uma formação excelente, com equipas de investigação excelentes, e que tenham objetivos de aplicar o que fazem, mesmo que seja a médio-longo prazo em indústrias existentes ou a formar, em Portugal. Para quem sabe o que custa arrancar com estas equipas, com reconhecimento internacional, não compreende como por decreto se pode instituir mais doutoramentos, sejam em universidades ou politécnicos. Muitos alunos fazem doutoramentos porque gostam da investigação. Outros porque pensam um dia emigrar para um daqueles países que acolhem doutorados. Outros pelo prestígio de ter um doutoramento, mas depois arranjam outro tipo de atividade. Poucos pensam que o seu doutoramento vai lhes dar um bom emprego em Portugal. Quando havia renovação e vagas no ensino superior, esse era um dos objetivos principais: ser professor universitário, e mais recentemente, do politécnico. Com tempo vai haver renovação, mas para um ínfima parte dos que se doutoram em Portugal.
Por isso quando os politécnicos pedem para "fazerem" doutores, pergunto, mais doutores para quê? Ou, para Quem?
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quarta-feira, setembro 07, 2016
Como impedir praxes de alunos que representam a UM, fora do campus?
Sobre as praxes, o reitor e presidente do CRUP, António Cunha afirma em jeito de resposta ao ministro que mais uma vez envia uma mensagem escrita aos reitores num artigo do jornal Expresso, reproduzido no jornal Público, que não tem maneira de controlar as praxes fora da UM. Penso que o que ele quer dizer é que não tem vontade de fazer nada nesse sentido. Todos nós na UM presenciamos as praxes dentro da UM, embora silenciosas porque as outras mais barulhentas são mas imediações, do outro lado dos muros à vista de todos dentro do campus de Gualtar. Basta transitar entre os complexos pedagógicos 1 e 2. Até parece um jogo...de praxes suaves de um lado do muro, a praxes agressivas, pelo menos à dignidade, do outro lado. A conduta de alunos da UM deve ser, enquanto alunos, regulamentada, seja dentro ou fora da UM. Assim é para membros identificados com farda ou distintivo das forças armadas, polícias, entre outros. Se um aluno fora do campus está identificado com traje da UM pode e deve se reger pelas normas da UM, e se as normas proíbem as praxes, deve obedecer sob pena de ser punido. Seria tão simples como isso. Se quiser fazer as praxes, que as faça a título individual, como cidadão, mas não como futuro engenheiro ou doutor da UM, É lamentável que um futuro doutor ou engenheiro, seja visto como um "bully" ou no outro extremo, como um ser humilhado e despojado do seu amor-próprio e dignidade.
Claro que membros da UM a servir de polícias para impedir que alunos trajados fizessem praxes fora do campus, não será fácil de implementar. Não se pode ter uma polícia militar como no caso dos militares. Mas havendo vontade, alguma forma de o fazer surgiria, até por acordo com as autoridades policiais, uma vez que a praxe pode ser considerada alteração da ordem pública, com o barulho que fazem e as obscenidades que gritam, e nesse caso a polícia poderia pedir identificação a quem estaria trajado e enviá-la à Universidade. Os polícias antigamente, quando as crianças partiam um vidro a jogar à bola, a polícia ia à casa dos pais avisar os pais para controlar os filhos. Neste caso, se os alunos da UM querem portar-se como crianças mal comportadas, deviam ser tratadas como tal.
domingo, julho 17, 2016
Ministro tenta travar praxes
Na imprensa desta semana vem a notícia que o Ministro da Educação afirmou em audiência parlamentar que vai escrever a todos os reitores para que proíbam as praxes. Foi uma medida corajosa e que já devia há muito ter sido tomada apor anteriores ministros que o antecederam. Tudo o que o ministro disse sobre as praxes já foi dito e redito por muitos nomes conhecidos da política e da sociedade. Os jovens que morreram na praia do Meco ou no muro de Braga, são a consequência mais grave das praxes. Há ainda o jovem de Famalicão. Todos estes trágicos incidentes não tiveram culpados. Não foi possível juntar provas. Em alguns casos, como o da praia do Meco, uma vez que só muito mais tarde, depois da casa ser limpa, é que as autoridades revistaram a casa. Não vou aqui servir de inspetor para procurar provas, mas que ninguém consegue tirar da minha cabeça, assim como acontece com a maior parte dos que souberam dos pormenores que antecederam a tragédia, que aquilo foi consequência de uma praxe, em que o "dux" foi interveniente na tragédia, isso não conseguem. Nem chegou a ir a tribunal acusado de homicídio involuntário, por negligência na forma como conduziu a praxe, aparentemente ordenando que os praxados estivessem de costas para o mar. É a justiça que temos. No caso do rapaz de Famalicão, chegou-se ao cúmulo da mão ser acusada por um dos membros da tuna envolvida no trágico incidente, tê-la acusado de difamação! Como é possível, a praxe estar de tal maneira aceite pela sociedade, que nem mortes ocorridas não fazem todo um povo revoltar-se? Já aqui exprimi que é uma espécie de doença da nossa sociedade que tem medo do poder oculto que está por detrás dos praxistas, algum desse poder chegando à igreja, sistema judicial e obviamente órgãos de poder ou influentes na Universidade, estes protegendo as ações dos praxistas, ou simplesmente pactuando com elas. O ministro chamou-lhes "fascizantes" às praxes. É uma afirmação que nos faz pensar. Afinal, independentemente dos nomes que se lhes atribuem mais ou menos honrosos, tais como a integração de estudantes na vida académica, são também atos de submissão perpetrados por “bullies” que não têm outro objetivo para além de humilhar os praxados o que por si só justifica a afirmação proferida pelo ministro. Não haverá outra forma mais digna de integrar os caloiros? Porque não promovem o convívio e a receção ao caloiro, com festa e alegria, sem a componente da praxe? Da forma como o fazem agora, com a praxe, parece-me mais uma barreira que uma integração.
No que respeita à UM, pareceu-me que a resposta do reitor da UM foi um pouco ténue, falando vagamente em valores humanistas e liberdade para todos. Isto o que é? Que tipo de resposta é esta? Não se entende. Um reitor que proibiu há algum tempo atrás praxes no campus, mas que as deixa praticar tais atos à vista de todos nas imediações, é o mesmo que fazer nada. Aliás as praxes continuam dentro do campus, embora transvasem para as imediações. O ministro não pode ditar regras às universidades devido à autonomia que foi concedida às universidades há muito tempo. Mas se a autonomia serve para evitar atuar, nomeadamente nestes casos gritantes de injustiça e prepotência por parte das Associações dos Estudantes e duma elite dentro da Associação que dirige as praxes, quase como uma estrutura autónoma, atuando impunemente perante os mais fracos daqueles que supostamente representam, os estudantes, então preferiria que não houvesse autonomia.
O reitor não pode ir a votos de novo, mas apoiará um sucessor. Nessa altura será necessário ser claro na sua atitude que até agora tem sido ambígua no que respeita à praxe, para que quem o suceda, e a lista que o apoiará, seja também sujeito ao escrutínio da academia neste ponto tão relevante para a vida académica.
domingo, junho 05, 2016
Os cursos têxteis e os empregos na indústria
Vimos na imprensa recentemente ser anunciado que na UM, os 8 finalistas do curso de engenharia têxil tinham tido ofertas de 200 empregos. Será que é benéfico anunciar as vagas que existem na indústria para aliciar candidatos aos cursos das Universidades? Não seria melhor anunciar onde estão os melhores empregos? É que para um licenciado hoje arranjar emprego, tem que aceitar um ordenado que não tem nada a ver com o que um licenciado recebia há uns anos atrás. As habilitações académicas estão desvalorizadas, não porque estejam piores, o que também é difícil de avaliar, mas porque há muitos licenciados para a geografia empresarial existente em Portugal. No caso da têxtil os candidatos ao curso e os seus pais têm essa perceção. São na maioria pequenas e médias empresas que não comportam um licenciado, e muito menos dois ou três, na perspetiva dos patrões. Na verdade o que os patrões querem e sempre quiseram, com honrosas exceções, é mão de obra barata. Os engenheiros fizeram-lhes jeito para darem o salto de empresas rudimentares que eram em empresas modernas e bem equipadas, graças também ao esforço que o país fez com os programas comunitários de apoio financeiro nas últimas décadas. Agora que as empresas funcionam de uma forma rotineira e automática. sentem que não precisam dos engenheiros. Põe-se a questão se não deveria haver uma maior aproximação para o grosso das empresas e fornecer-lhes profissionais que teriam cursos técnicos, a nível do que o politécnico oferecia há uns anos atrás, os engenheiros técnicos, sem descurar os cursos com maior exigência para as grandes empresas, que não são assim tantas, e para a novas empresas dedicadas a setores mais exigentes tecnologicamente, como a dos têxteis técnicos. Para formar engenheiros técnicos, com a tentativa de fusão de que se falou em tempos, seria uma solução para o IPCA, por exemplo, em conjunto com a Universidade do Minho, fazer um tal curso desse género. Seria também útil que os alunos fizessem estágios frequentes na indústria ao longo dos 2 a 3 anos do curso. Para o caso do curso mais evoluído, seria uma ideia manter os Mestrados e doutoramentos, mas não prosseguir com o curso de Mestrado Integrado, uma solução que nasceu com Bolonha e que tantas críticas tem merecido por parte de todos, empregadores em primeiro lugar, mas também de professores e dos próprios alunos.
domingo, maio 01, 2016
A Festa dos Finalistas
Todos os anos assistimos ao mesmo, a feira de vaidades das diversas cerimónias de entrega de diplomas: o desfile de alunos em traje e insígnias; a bênção dos finalistas, uma cerimónia que nunca assisti mas que presumo seja uma cerimónia religiosa a certificar ou proteger pela mão de Deus um grau académico, o chamado "canudo"; a imposição das insígnias. Não entendo muito bem estas cerimónias nem a sua relevância no que respeita ao sucesso do aluno em obter um grau académico. Toda estas atividades se imiscuem no que devia ser um ato puramente académico de entrega de diploma e todos desviam a atenção do que suposto ser o objetivo da Universidade: ensinar e produzir graduados, não atores ou atrizes, soldados ou polícias fardados, com disciplina de praxe, fiéis católicos, modelos de passerelle....
Tudo o resto é folclore e o ensino dispensaria tal folclore se não fossem os pais dos alunos, os amantes das praxes, os responsáveis de protocolo, que não o dispensam. Compreende-se que os pais que investiram tanto no futuro dos filhos, queiram ver o resultado, e não os satisfaz só o canudo, querem ver e mostrar o sucesso dos filhos ou filhas que trouxeram a este mundo, como se de troféus se tratassem.
Embora discorde, compreende-se. Agora os responsáveis de uma instituição de saber e ciência, a Universidade, alinhar com este folclore, subjugar-se ao capricho de associações de estudantes como na imposição das insígnias, não separar a religião do ensino na bênção dos finalistas, como manda a lei, é que é já mais difícil de aceitar no século XXI. Mas enfim, desde que se divirtam sem haver mal maior, quem pode criticá-los? O problema é que pode deixar sequelas no caráter das personagens que participam demasiado em tais atividades, nomeadamente os Professores que ano após ano assumem funções de protocolo, ficando eles próprios imbuídos de um espírito artificial e desligado da realidade científica e do saber e do verdadeiro objetivo do ensino universitário, que se devia pautar por uma entrega humilde dos professores à tarefa de ensinar o melhor que podem. Quanto aos alunos, isso, a vaidade de um ato único passa-lhes com o tempo, espero. Os pais talvez sejam os mais gratificados, ao verem os seus filhos chegarem ao pódio. Mas será que o pódio é uma prova que alcançaram a ciência e saber? Fica a pergunta.
quarta-feira, fevereiro 10, 2016
Bolsas de investigação para politécnicos
O novo ministro da educação veio hoje anunciar um novo aumento de verbas para a Ciência, o que já era anunciado pelo programa do partido socialista. Mas o mais interessante é que veio anunciar algo de novo que é o acesso a verbas de I&D aos politécnicos, ou seja, supõe-se que bolsas de doutoramento, e o seu acesso por pessoas não integradas no sistema do ensino superior. Quanto ao maior acesso às bolsas, estou de acordo, embora não o ministro não especificasse muito bem quem poderia concorrer. Mas só o princípio já é de aplaudir. Quanto mais abrangente na sociedade o acesso à investigação, melhor. Agora, o acesso a doutoramentos nos politécnicos, vai no sentido da desvalorização que os doutoramentos têm vindo a sofrer na última década nas universidades. Com a entrada em vigor dos programas doutorais, e baseio-me no que conheço nas engenharias, há um primeiro ano académico e só dois de investigação. Alguém consegue perceber como em dois anos se faz um doutoramento equivalente aos doutoramentos que se efetuavam, por exemplo, pelos assistentes que necessitavam do doutoramento para passarem a Professores Auxiliares' Podiam demorar oficialmente 4 anos de investigação e normalmente duravam mais. Não admira portanto, chegados aqui, a uma transformação de doutoramentos em cursos, desde Bolonha, que os politécnicos também tenham essa hipótese. De outra forma, considerando como antes que os politécnicos seriam para formar técnicos para as empresas, e não para fazer investigação, não se compreenderia. Muitos politécnicos não são mais do que escolas de formação superior em que os cursos não são práticos, como o eram antes, nem são teoricamente ricos em substância, como supostamente o serão os das universidades. Chegou-se a um estado de coisas em que os politécnicos, salvo honrosas exceções, são como antes se designavam muita universidades privadas, "de papel e lápis", agora talvez melhor designados de cursos de "wikipedia". Por outro lado, os seus professores , não fazendo investigação, não se vislumbra como a podem incutir nos alunos ou como podem orientá-los. Muitos desses professores só lá vão para dar aulas, não tendo atividades de I&D. Seria pedir de mais que fizessem aquilo que o país pediria deles? Ou seja, transferir novas tecnologias e produtos para o tecido industrial, diretamente ou por via dos alunos colocados no tecido empresarial, e principalmente no industrial? Não se incentiva essa função do politécnico atribuindo bolsas de investigação. O que se vai fazer agora é aproximá-los artificialmente ainda mais das universidades, com bolsas. Já temos universidades de primeira e outras de segunda (os politécnicos) devido a políticas que os sindicatos pedem e que os ministérios aceitaram ao longo dos anos. Esta, das bolsas, é mais uma.
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sábado, dezembro 05, 2015
A máquina científica a funcionar
Temos a ideia que no caso das universidades quem tem mais publicações é quem tem mais mérito. É, a meu ver, uma forma simplista de avaliar o mérito de um investigador. Publicações são na maior parte das vezes baseadas na continuidade de publicações em que só a primeira é original. E mesmo assim esta primeira pode ter sido baseada noutra de outro investigador. É assim que cresce a ciência, step-by-step e não por transformações radicais. Há quem colecione publicações. Há quem tenha equipas em que cada um faz a sua parte, qual cooperativa, para produzir publicações em massa. Nestes casos o número de autores é normalmente elevado, não se percebendo muitas vezes quem teve a maior fatia da investigação em causa. O diretor do centro em muitos casos também faz obrigatoriamente parte do rol de autores, embora não tenha participado ativamente no trabalho. Esta forma de fazer I&D é transversal a muitas áreas e em muitos países. É assim há pelo menos duas décadas e são muitos os que beneficiaram desta "entreajuda". É essa a perceção do investigador que não faz parte destas autênticas fábricas de "papers" e que depois olha com ironia para os resultados que essa investigação tem na sociedade e nomeadamente nas empresas, e verifica, baseando-se nas estatísticas que têm vindo a ser publicadas sobre esta discrepância, que não têm de facto uma correspondência. A questão também em termos científicos torna-se endémica, quando os doutoramentos são baseados em publicações. Como se pode avaliar um trabalho individual com base em publicações coletivas? Nunca entendi esta forma de submeter teses de doutoramento. E dá-se desta forma a compensação ao investigador que esteve numa equipa e ajudou também a outros obterem os seus doutoramentos. Agora com a classificação dos doutoramentos então ainda é mais surreal. Como se pode distinguir entre um 14 e um 19 se não há um só autor no trabalho que se apresenta, mas vários autores? Não será de estranhar que com esta falta de objetividade, a classificação que agora é norma na Universidade do Minho não signifique nada, tanto pode ser 14 como 19, dependendo de muitos fatores subjetivos, como uma boa apresentação, um júri mais tolerante ou mais exigente, a dimensão júri, ou pura e simplesmente a boa ou má disposição do júri. Assim se joga um intervalo de meia dúzia de valores.
O que a Universidade deve tentar alcançar, como têm insistido ultimamente muitos responsáveis políticos, além de comentadores vários, é uma maior influência do que se faz na Universidade, naquilo que as empresas necessitam para reformar e inovar. Se saíssem mais patentes das universidades talvez o panorama fosse diferente. Mas o número de patentes saídas das Universidades é confrangedor quando comparado com outros países de dimensão e economia semelhante. Hoje o Expresso de novo, num artigo sobre a COTEC, refere-se que Portugal tem 40% da média europeia de patentes e só 3% estão presentes nas exportações, em licenças concedidas, o que já tinha sido referido noutro artigo aqui também referenciado, e com um número de patentes ainda inferior à média europeia(18%). Seja como for, os números são evidentes e devem ser motivo de reflexão de todos os professores e investigadores das Universidades.
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sábado, novembro 14, 2015
Atratividade do ensino superior em crise
Hoje uma notícia no jornal Público diz-nos que o ensino superior é menos atrativo para os jovens por o emprego estar a crescer mais, embora modestamente, para os jovens com o ensino secundário completo do que para os licenciados, citando um relatório da Comunidade Europeia(CE).
Por outro lado, muitos jovens licenciados exercem empregos abaixo das suas qualificações. A CE não foge à regra com 25% de jovens nessa situação. Adianta este relatório algumas causas, sendo a das oportunidades de emprego a primeira, mas que o abandono escolar também é elevado, pelo que se conclui que os alunos chumbam muito, talvez por os cursos não serem interessantes ou relevantes para um mundo em mudança. No caso de Portugal, com o que se perdeu nos último 4 anos, em que a indústria não evoluiu, em que não houve uma re-industrialização do país, mas que pelo contrário, houve um reforço das empresas dos setores tradicionais de mão de obra barata, os têxteis e o calçado por via das exportações, as saídas para os licenciados para postos de relevo nestas ou noutras engenharias são muito pequenas. Mesmo aqueles que exercem nestas indústrias, recebem ordenados pouco acima do ordenado mínimo. É o País que não acompanha o ensino ou é o ensino que não acompanha a indústria? É um ciclo vicioso porque uma coisa precisa da outra. Se a indústria não existe, os curso para essa indústria não fazem sentido e se os cursos não existem, embora não seja tão linear, também não há incentivo para a indústria se estabelecer no país, nomeadamente por via do investimento estrangeiro. Qual a saída então? Há quem defenda que as start-ups serão a solução. Mas estas são uma gota no oceano. Poderão no entanto, quando têm origem nas universidades como spin-offs, ter um efeito catalisador dos cursos donde emanaram, por servirem de exemplo para os candidatos aos cursos de ensino superior. Estes cursos com atratividade, por sua vez, terão um efeito de incentivo para a formação de outras spin-offs e assim sucessivamente. Será um ciclo vicioso mas desta forma, com efeito positivo tanto no tecido industrial como nos cursos de ensino superior.
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domingo, outubro 25, 2015
Praxes de novo
Será que alguma vez nos vamos livrar das praxes? Todos os anos as mesmas cenas. Jovens a serem humilhados em nome da integração da academia por outros jovens que já passaram por essa humilhação. Dir-se-ia que quem passou por isso, é pior que se não passasse, por ser uma espécie de vingançazinha ou uma catarse, para se livrarem da humilhação sofrida quando eram caloiros. Um psicólogo e em casos extremos de praxe um psiquiatra, conseguirá melhor que um simples observador, como é o meu caso, avaliar estas mentes que momentaneamente perdem o discernimento civilizacional, para se portarem como se fossem uns animaizinhos. Não se entende de outra forma. Já aqui de novo no ano passado discorri sobre este fenómeno tentando compreendê-lo mas sem grande sucesso. Já nem vou tentar mais entender este fenómeno. Por mim, fazia-se se uma semana ou duas de receção ao caloiro, com atividades, promovidas pelos clubes desportivos, por exemplo, e pelos alunos mais velhos, os finalistas em primeiro lugar, que promoviam atividades sobre os cursos que frequentam, com simpósios, convites a empresas e entidades que representassem a sociedade civil onde estes alunos se vão encaixar, quando acabarem o curso. Os alunos estariam assim ocupados, sem grande disponibilidade para as praxes. É o que se faz, ou pelo menos fazia-se, no Reino Unido. Porque não cá? Teremos menos imaginação que outros países para fazer singrar estas atividades de integração de estudantes caloiros? Talvez, ou talvez a praxe impeça isso, obrigando à participação de todos, por intimidação e por "tradição".
As praxes foram banidas dos campi da UM? Ou foram banidas só as praxes violentas? Não se sabe onde está a linha divisória. A humilhação é uma violência. A reitoria devia banir praxes do campus, "tout court". Sejam ou não aparentemente violentas. Sejam barulhentas ou não. Divertidas ou não. Integradoras ou não, por ser muito subjetivo o que é a "integração de pessoas". Quando se discriminam aqueles que não querem a praxe, a integração mais parece uma filiação numa seita que uma integração. Quando a participação de quem é praxado deriva de uma ordem de um superior e não de iniciativa própria, não é uma integração, mas uma sujeição. Quando se "lambem as botas" aos praxantes, isso torna os praxados em súbditos e não em colegas, como seria de esperar numa integração séria. A hierarquia está sempre presente, até ao fim do curso, e isso não é próprio de uma integração numa equipa, mas mais parece uma integração numas forças armadas onde se exige um hierarquia rígida. Enfim, haverá tantas mais observações a fazer, mas mais uma vez, mais um ano passa e tudo o que se diz sobre a praxe cai em saco roto. É frustrante.
terça-feira, julho 21, 2015
Cursos do ensino superior para todos os gostos
Mais um ano em que desce o número de vagas no ensino superior acompanhando a descida do número de candidatos. É a tendência dos últimos anos. Há ainda a novidade do Ministério da Educação informar sobre a empregabilidade dos cursos. Os alunos continuam a preferir os cursos que lhes dão emprego, medicina e enfermagem, o primeiro em universidades e o segundo mais em politécnicos. O que se verifica é que muitos dos alunos que vão para enfermagem, já o fazem com a ideia de emigrar. Porquê então que o Ministério aceita tantos cursos e com númerus clausus tão elevados? Não se entende. São recursos do País que poderiam ser empregues noutros cursos, mesmo em cursos que à partida não têm empregabilidade, como o das humanidades. Ao menos estes cursos custam menos ao País por não precisarem dos meios que os cursos de enfermagem precisam. Não há qualquer planeamento de cursos, muito devido à autonomia das universidade e dos politécnicos. Será que a autonomia das universidade e politécnicos deverá determinar quais os cursos a oferecer? Talvez em parte. Mas não deveria também obedecer a uma estratégia nacional? Aliás como se fez em relação aos cursos de medicina. Pelo menos nas engenharias poderia haver mais organização e não depender só da lei da procura e da oferta, como está a acontecer com os cursos de engenharia civil. O governo lava dali as suas mãos, guiando-se pela procura dos cursos, como se os candidatos soubessem quais os cursos mais relevantes para o país. Basta ver quanto alunos se candidatam aos cursos de comunicação, jornalismo, media, etc, para perceber da disparidade da desproporcionalidade entre o número de jornais, canais de televisão e outros media. Ou no caso dos cursos de engenharia biológica ou biologia, a desproporcionalidade entre os candidatos a estes cursos e os empregos disponíveis para este tipo de especialização: indústria alimentar, ambiente, etc. Ou no caso da arquitetura. E haverá muitos mais disparidades como estas.
Estamos com um ensino superior dependente dos gostos dos alunos, ou nestes casos, mais das alunas. Que fazer? Penso que se os alunos gostam de tirar um curso que os satisfaçam, e não que o país precise, deviam pagar esse curso, tal como se paga um curso de guitarra ou de culinária gourmet, ou outros (pintura, decoração, etc). Demasiado polémico? Talvez e certamente não exequível. Mas então que o governo tenha uma estratégia de "hair cut" aos cursos repetidos em universidades e politécnicos distantes poucos quilómetros uns dos outros e númerus clausus para cima de 50. Tentou timidamente através da formação de consórcios, começando a norte, mas depressa recuou, ao ser confrontado pelo lobby dos reitores do CRUP. A única boa ideia que o Ministério da Educação teve para o governo superior, nunca saíu do papel! É hora deste ministério dar lugar a outro que tenha mais garra.
domingo, julho 05, 2015
Bolonha e doutoramentos
A propósito de Bolonha, vem a talhe de foice falar de Miguel Relvas. O caso é conhecido: alguém que conseguiu uma licenciatura, em Ciências Políticas, numa universidade portuguesa, a Lusófona, por lhe ter sido atribuídas equivalência a grande parte das UCs (disciplinas) com base no seu currículo de político. Diz o Professor Alberto Amaral que se a moda pegasse bastava a alguém trabalhar num stand da Renault para obter a licenciatura de engenheiro mecânico. Está bem visto. Bastaria a alguém trabalhar numa empresa têxtil para ter uma licenciatura em engenharia têxtil? Talvez. Os exemplos seriam muitos.
O caso de Relvas está em tribunal para se averiguar da sua legalidade. Mas independentemente da sua legalidade, há alguém que aceita este estado de coisas? De que serve a legalidade formal de um diploma se o diploma não vale nada? E se não vale nada pode-se concluir que as outras licenciaturas da Universidade Lusófona também não valem nada? Com certeza que não! Onde eu quero chegar é à generalização que se pode fazer de casos tristes em que a Universidade facilita, ou para ganhar alunos, ou compensações de outra ordem. Preocupa-me um pouco o facilitismo que se apoderou das Universidades desde que as licenciaturas e doutoramentos de Bolonha passaram a vigorar. E não se pode atribuir tudo a Bolonha. Mas uma vez que o facilitismo se instala, já não se distingue se é de Bolonha ou não. Por exemplo, doutoramentos em conjunto com outras Universidades que por não terem uma especialidade numa determinada área, formam os seus docentes nessa área através de um doutoramento em conjunto, mas que será atribuído pela UM. Não sei se existem outros casos, mas conheço o do Centro de Ciência e tecnologia Têxtil da Escola de Engenharia, o 2C2T. É um doutoramento pago, à Universidade e aos docentes. Põe-se logo a questão: se é pago, admite que algum dos seus doutorandos não obtenha o título de doutorado? A universidade de Maringá, Brasil, neste caso específico, espera que alguns dos seus professores voltem sem doutoramento depois de pagar? Há uma outra questão que se coloca e que há muito que eu ponho em causa: a formação de base dos alunos. Não sei como é nos outros centros, mas no caso do 2C2T entram alunos com os mais diversos currículos para o doutoramento em Engenharia têxtil, desde design a gestão. Deu-se o caso de há uns anos admitirem um aluno com contabilidade como área principal do seu currículo. Como me demiti nessa altura do Conselho de Cursos do PDET, Programa de Doutoramento em Engenharia Têxtil, considerando que esta era a gota de água, não sei que outros CVs têm sido admitidos. Sei que o Design tem sido admitido como currículo até porque houve recentemente doutoramentos na área do design que foram admitidos como doutoramentos em Engenharia Têxtil. A justificação é que não existe doutoramento em Design Têxtil. Depois do escândalo do doutoramento em Engenharia Têxtil que foi plagiado, também por ser numa área que se prestava a isso, Marketing, mais uma que se admite como Engenharia Têxtil, pensar-se-ia que no 2C2T se "navegaria" com mais cuidado. A questão é que no caso do doutoramento plagiado, não houve qualquer sanção aos envolvidos, nem qualquer demissão. Os mesmos continuam à frente do centro e os professores envolvidos continuaram a distribuir diplomas, em tudo igual, baseados em estudos de mercado, estatísticas e outras ferramentas que de originalidade não têm nada(veja-se o artigo de opinião de Vasco Eiriz em Empreender). Na altura o reitor e presidente de Escola afirmaram que iriam atuar. Ficou-lhes bem. Mas o tempo tratou de fazer esquecer e o risco de acontecer outra vez continua. É o que acontece quando se facilita. E voltamos ao assunto de início: facilitar, ajuda quem? O próprio é evidente. Mas a instituição em causa, e por último a imagem do ensino superior e do País? Com a ideia que os países do norte da Europa já têm dos portugueses que acham pouco gostam de trabalhar, muito por causa da dívida que acumulámos, este tipo de atitude vem mesmo a calhar para provar a sua teoria.
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sábado, maio 23, 2015
Inquéritos e estatísticas
As empresas são assediadas constantemente com inquéritos de alunos de mestrado ou doutoramento, e até de licenciatura, que fazem trabalhos e teses baseadas numa análise desses inquéritos. É algo que se tornou “viral” ultimamente, não estando os professores também livres de apanharem com inquéritos por parte também de alunos. Claro que todos gostamos de ajudar os jovens nesse seu percurso de aprendizagem. Mas será que ao responder estamos mesmo a ajudar? Que resultados tiram estes alunos de inquéritos que demoram uns minutos a responder? Por outro lado as empresas são obrigadas a preencher inquéritos do INE sobre I&D. Para que serve? Para estatísticas claro, mas na realidade qual o proveito? Inquéritos são o que são. Podem espelhar uma situação mas não a resolvem. Por isso não se percebe qual o objetivo, a não ser encher arquivos de números. Também temos na Universidade inquéritos à aprendizagem. Quem os faz terá a noção que ninguém os vai analisar? Ou mesmo ler? Parece que temos uma inquérito-mania. Tenho para mim, que as estatísticas são o oposto duma avaliação objetiva do mérito ou do fracasso, nivelando tudo pela média. Com a entrada do processo de Bolonha, as avaliações ponderadas dos trabalhos dos alunos, acabam sempre por nivelar, ou digamos, "terraplanagem", sem altos nem baixos. Os concursos também seguem a mesma "segurança" com avaliações ditas objetivas em folhas excel. Mal vamos quando ninguém sobressai e ninguém é excluído. Temos depois profissionais que não passaram por um verdadeiro crivo, sendo que não poderão responder a desafios que terão de enfrentar de uma forma conclusiva ao longo da sua vida profissional, mas antes acabam por evitá-los ou então acabam por aprender à própria custa, porque no ensino superior não foram verdadeiramente postos à prova.
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