Tem
sido notícia constante o Serviço Nacional de Saúde. È criticado por não ter
capacidade para responder às necessidades dos utentes. Filas de espera para
consultas e cirurgias cada vez mais longas, maternidades a fechar por falta de
médicos em determinadas zonas do País, como o Algarve e até a maternidade
Alfredo da Costa (parcialmente) em Lisboa, o que é surpreendente uma vez que se
pensava que só na periferia poderia acontecer. O que se passa é que os
hospitais públicos recrutam mais médicos que o SNS por oferecer melhores
condições remuneratórias e melhores condições de trabalho, Os seguros financiam
os hospitais privados e isso é normal. O que não se entende é que a ADSE com o
dinheiro público, ou seja, dos funcionários públicos, financiem também os
hospitais privados. O mesmo Estado que se queixa de perder médicos, e também
enfermeiros, para o setor privado, está a financiar indiretamente esse mesmo
setor privado. Muitos de nós, professores, contribuímos mais que outros para a
ADSE, ao que se chama solidariedade para com os outros que contribuem menos por
ganhar menos. Tudo isto porque a taxa de 3,5% ser igual para todos, o que se
tornou muito pesada para os salários mais altos dentro da Função Pública. Esta
solidariedade também existe nos impostos mais altos que os que ganham mais,
pagam. Se todos entendemos que aqueles que têm salários mais baixos devem ter
de facto redução nos seus impostos para terem uma vida mais digna em termos
financeiros, não se entende como é que aqueles que estão no meio da tabela,
devem receber dos que estão no topo também essa solidariedade. Ao agravar os
impostos e as taxas ADSE, já para não falar da segurança social, por esta via,
chega-se ao resultado perverso de a partir de uma determinada remuneração não
valer a pena subir mais. Não vale a pena o esforço, pois acaba-se por ter tudo
agravado em matéria de contribuições ao Estado. Isto repercute-se depois na
acomodação daqueles que estão a meio da tabela, que desacelera, a partir de uma
determinada posição na tabela salarial, não se preocupando muito em evoluir nem
se preocupando nas consequências que tal atitude tem na instituição, neste caso
na Universidade. Os Professores Auxiliares ficam-se por ali, progredindo nos
escalões sem se esforçarem muito, como já foi aqui, neste espaço de opinião,
referido. Não fazem investigação a sério, limitando-se a fazer os mínimos
requeridos pela avaliação docente (RAD). Mas adiante e voltemos ao SNS e ao
setor privado da saúde. Qual seria então a melhor forma de colocar a ADSE ao serviço
do SNS? Haveria muitas formas de o fazer, mas não se faz porque, assim é mais
fácil. Empurrar os doentes para fora, sem ter que se chatear com eles, e ao
mesmo tempo aliviar o SNS com milhares de utentes a dirigirem-se a estes
hospitais provados, com acordo com a ADSE, em vez de engrossarem as filas de
espera nas consultas e cirurgias. O que não faz é desviá-los das urgências,
porque estas não são rentáveis para o setor privado e só o Estado é que o
comporta, porque.... alguém tem que o fazer.
segunda-feira, julho 15, 2019
segunda-feira, julho 08, 2019
Do que é que estão à espera?
Decreto-Lei n.º 84/2019 de 28 de junho (artigo 77º)
Artigo 77.ºConcursos para promoção às categorias de professor associado e catedrático1 - Até 31 de dezembro de 2019, as instituições de ensino superior podem abrir concursos para promoção de professores auxiliares e associados, até ser atingido o limite inferior de 50 % definido no n.º 1 do artigo 84.º do Estatuto da Carreira Docente Universitária, nos termos dos números seguintes.2 - Podem ser opositores ao concurso para promoção os professores com contrato por tempo indeterminado com a instituição e que tenham o mínimo de 10 anos de antiguidade na respetiva categoria.3 - Os concursos só podem ser abertos para área ou áreas disciplinares em que haja mais do que um professor com contrato por tempo indeterminado com a instituição, que reúna as condições para ser opositor, e desde que o conjunto de professores associados e catedráticos de carreira dessa área ou áreas disciplinares não represente mais de 50 % do total dos professores de carreira.4 - Os júris dos concursos são compostos maioritariamente por individualidades externas à instituição de ensino superior.5 - O concurso de promoção rege-se, com as necessárias adaptações, pelo disposto nos artigos 38.º e seguintes do Estatuto da Carreira Docente Universitária, em tudo o que não esteja especialmente previsto no presente artigo.
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segunda-feira, abril 01, 2019
A nova minuta dos concursos para progressão na carreira
O
estatutos e regulamentos que dizem respeito à vida dos Professores da UM têm
vindo a ser homologados duma forma expedita, sem consulta pública ou pelo menos
sem publicidade, e rapidamente homologados pela reitoria e/ou Conselho Geral.
Já referi no post anterior, a alteração à última hora do artigo que determinava
a rotatividades do cargo dos Diretores dos Centros de Investigação. Quando é
esta a forma de fazer aprovar regulamentos e estatutos, acontecem as
arbitrariedades, contradições e pelo meio injustiças, mesmo que a intenção seja
bem-intencionada. Um outro exemplo foi a minuta que regulamenta os concursos
para Professores Associados e Catedráticos, acabada de ser homologada. Veja-se na
nova minuta de concursos, que alguém teve ideia peregrina de reinventar, o novo
regulamento que vai reger os concursos introduz especificações que se
podem introduzir ao designar UCs específicas. É no mínimo arbitrário
escolher UCs, ou pelo menos sê-lo-á sempre para alguém que fica de fora. É
contraditório com o ECDU, que determina no número 2 do artigo 37 que "A
especificação da área ou áreas disciplinares não deve ser feita de forma
restritiva, que estreite de forma inadequada o universo dos candidatos". E
é claro que pode implicar injustiças no que respeita a candidatos que estão à
espera há muito tempo para se candidatarem, preparando anos a fios o seu
currículo, e que, mesmo com um bom currículo, são excluídos por uma medida
administrativa. O argumento de que se pode desta forma ativar áreas que
necessitam de um incentivo no recrutamento de Professores Associados ou
Catedráticos, é subjetivo, uma vez que não há a certeza de entrar alguém de
fora, podendo servir tão só para a promoção de alguém que já faz parte dessa
área. Essa até pode ser a intenção, o que nesse caso,
desvirtua a regras da concorrência.
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sábado, março 23, 2019
Os mandatos dos diretores dos centros de investigação e os de Presidentes de Câmara
Os estatutos das Unidades da UM, ou seja, as Escolas e Institutos,
foram reformulados. O da Escola de Engenharia acabou de ser homologada e publicado
em Diário da República. Ao ler esta versão final, fica-se com a sensação que
está tudo igual no essencial. Em termos de democracia não houve melhoramentos.
Numa versão anterior antes desta homologada, de uns 3 meses atrás (Novembro de
2018), havia por exemplo uma alteração no que respeita aos mandatos dos
diretores dos centros de investigação, forçando uma rotatividade com mandatos
que não poderiam ser renovados mais do que 2 vezes. Assim, acabava-se com um
abuso de poder de muitos diretores de centros que estão lá há mais de duas
décadas. Mas à última hora, voltou-se atrás e de novo remete-se a renovação de
mandatos para os regulamentos de cada centro. É evidente que, tal como nas
Câmaras Municipais, ao não forçar a alternativa, ela não ocorrerá facilmente.
Houve presidentes de câmara que atá a lei mudar forçando a alternativa,
estiveram no poder desde o 25 de Abril, períodos na ordem dos 30 anos. Estes
presidentes de Concelhos de Província, em que se inclui Braga, sabiam ganhar o
voto do povo, organizando festas populares e transportes gratuitos, para além
de se imiscuírem no futebol do clube da capital de Concelho, o que também
angaria muitos votos. No caso dos centros de investigação, não serão tão óbvias
as benesses, mas que há sempre forma de favorecer grupos dentro do centro,
fazendo incidir os investimentos mais num sentido que outro, e assim assegurar
uma maioria de apoio. Pergunta-se, a democracia ganhou com esta permanência? No
caso das câmaras, é só ver os casos gritantes de desmandos no que se refere a
construções e alienação de edifícios das câmaras, já para não falar de casos de
corrupção que obviamente são raros os casos de Presidentes de Câmara presos, ou
não fossem os negócios já feitos de forma a não deixa rastro. No caso dos
centros, é fazer uma ronda pelos laboratórios e possívelmente se descobrirá uma
relação entre investimento e apoio. O caso da Escola de Engenharia, é tanto
mais grave porque é uma Escola com centros se I&D que mais verbas
angariam e que portanto mais poderosos são, relegando os Departamentos para
segundo plano. Com este tipo de poder é evidente que o lugar de diretor é
apetecível. Já não diria que no caso dos departamentos será assim, uma vez que
os departamentos não têm dinheiro. Nem para tinteiros, quanto mais para aulas
práticas e atividades complementares dos cursos de que são responsáveis. Talvez
por não ser um lugar apetecível, com muito trabalho associado e poucos meios, o
lugar de diretor não sendo apetecível, já tem limites de renovação, podendo ser
renovado só 2 vezes. Por isso questiona-se se não houve pressão dos atuais
diretores dos centros de Investigação nesta mudança de última hora no que se
refere ao limite de mandatos. Se houve, é grave, mas se não houve também o é,
porque não tem uma explicação democrática.
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terça-feira, janeiro 01, 2019
Os protagonistas da I&D ensino na transição de 2018 para 2019
Já que a mensagem de ano novo que era exclusivo do Presidente e do
primeiro-ministro se alargou a outros, nomeadamente aos partidos políticos, que
aproveitaram para fazer campanha para as eleições que vêm aí em 2019,
nomeadamente as legislativas em Outubro, aproveito também para fazer a minha
mensagem.
Este ano temos assistido a um ministério do Ensino Superior
populista, procurando agradar a todos, gastando o orçamento naquilo que é mais
populista, ou seja, garantir emprego a bolseiros e espalhando dinheiro pelos
laboratórios Colaborativos, algo que já conhecíamos com outro nome, os
laboratórios Associados. Assim, agrada aos que mais aparentemente precisam de
estabilidade, dando-lhes emprego, mas esquecendo-se o ministro da tutela, que
os investigadores bolseiros não dão aulas e que "fazer" investigação
a troco de um emprego não dá resultado, a não ser que seja uma multinacional do
ramo farmacêutico que paga salários milionários. Temos o exemplo do LNETI, mais
tarde INETI, mudou o nome mas não a produtividade científica, que sempre foi
incipiente, quando comparado com as universidades. Funcionários públicos são
por natureza trabalhadores das 9 às 5, e com objetivos precisos: dar aulas no
caso do ensino superior. Sem diretivas precisas e contabilizáveis, temo que não
haja resultados palpáveis. Mas o futuro dirá se será assim ou não. Precisamos
de I&D e até que o INETI era uma boa ideia, pois seria I&D para a
indústria. Só que não se percebeu na altura que a indústria nos arredores de
Lisboa era indústria pesada, já instalada e sem motivação para a I&D. A outra
indústria, a das PME, estava no cenrto e no norte do país, longe para
funcionários que só tinham das 9 às 5 para enquadra deslocações no seu plano de
trabalho. Ajudas de custo não seriam compensadoras, e sair da zona de conforto
também não é algo que seja para todos.
Por outro lado temos os
professores universitários que foram tratados de uma forma totalmente
diferente. São eles que orientam os bolseiros. mas sem incentivos e pelo
contrário ignorando as suas mais básicas aspirações. As progressões foram
consideradas e bem, como uma forma de premiar com base no mérito. Se não o está
a fazer é culpa das universidades que não fizeram um regulamento que realmente
avalia esse mérito. Mas tão-pouco o mérito é garantido no resto do funcionalismo
público que é avaliado segundo o SIADAP, permeável à cunha, por não incluir
avaliadores externos, mas júris locais que também estão dependentes de uma
hierarquia que pode cair na tentação de premiar os seus mais diretos
colaboradores e só depois os outros. O sistema de avaliação dos professores,
segue regras objetivas, mas os avaliadores não têm como corrigir erros na
conceção do regulamento uma vez que está em marcha. Na Escola de engenharia da
UM, chegou-se ao ponto de serem os serviços de documentação a aceitar os artigos
científicos e os “proceedings” das conferências cegamente, com base numa aritmética
cega, sem olhar ao valor real destes documentos. Mas, independentemente da
justeza da avaliação o que é certo é que sempre é melhor que nenhuma, que é o
caso dos professores do básico e secundário. Estes puseram o país de joelhos em
2018, e prometem continuar em 2019, com a exigência do desbloqueamento imediato
das progressões, e mesmo sabendo que já são beneficiados com a sua progressão
de quatro em quatro anos quando os professores do ensino superior é de cinco em
cinco anos, não aceitam o ajustamento do governo a esta discrepância com a oferta
de 2 anos em vez dos 9 anos pedidos, para repor a equidade com os outros grupos
de funcionários públicos.
O ministro do Ensino Superior, não só não cumpre o Estatuto da Carreira
Docente Universitária, ECDU, que determina a progressão a partir dos 10 pontos como
lava daí as suas mãos ao relegar para as universidades com a sua autonomia, a
resolução de uma questão da sua responsabilidade.
Assim, prevejo que 2019 seja mais um ano de “marcar passo” na carreira
dos professores universitários e a melhorar na carreira dos investigadores. Em
ambos os casos, haverá poucos incentivos para fazer mais I&D, curiosamente por
razões quase opostas, uns por falta de incentivos, outros por demasiada “estabilidade”
de algo tão “instável” como a inovação, nem que seja pela definição da palavra.
Adivinhem que é quem.
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