sexta-feira, janeiro 19, 2018

Os professores universitários dão o exemplo de passividade sindical

Proliferam as reivindicações de todas as profissões. Sindicatos e ordens anunciam greves a todo o tempo. Ora são os enfermeiros, que parece que já estão satisfeitos pois conseguiram o que pretendiam, ora são os professores do ensino secundário, estes recorrentes, sendo que Mário Nogueira consegue ser o tomba ministros de diferentes governos do PSD e do PS, ora são os magistrados. Estes, em congresso hoje, reivindicam entre outro assuntos um novo estatuto para os magistrados. Entre outras, as razões invocadas são as de que devem ter um estatuto que lhes dê dignidade...por ganharem pouco (?). Por acaso o dinheiro confere dignidade a alguém? Por isso os Professores universitários são uma exceção à regra, como sempre. Não me lembro quando reivindicaram alguma coisa. São seres pacíficos muito diferentes dos seus colegas do ensino secundário, que todos os anos estão a reivindicar alguma coisa. Ou porque não querem ser avaliados, ou porque são colocados longe de casa, e agora porque não foram considerados no descongelamento das progressões, com retroatividade. Novas avaliações foram introduzidas nas universidades, como o RAD, Regulamento de Avaliação de Desempenho dos docentes, com o objetivo específico de progressão na carreira através de subida de escalão. À semelhança do SIADAP para os restantes funcionários públicos. Os sindicatos como o Snesup alertam para a falta de empenho das universidades, mas as universidades não se mexem. Não alertaram para a inclusão logo no orçamento de estado verba para esse efeito. Os professores universitários aparecem a questionar esta situação nos media? Não. São discretos e até se julgará que não estão interessados. Para o Governo estarão esquecidos.Diz o sindicato que a culpa também é da falta de sindicância dos Professores. E tem toda a razão. Já é de há muito, esta falta de sindicância. Não são só as progressões na carreira que tardam, mas também a alteração dos estatutos de que já referi como sendo urgente, dadas as incongruências do RJIES. Mas os professores universitários não reagem. E assim se vai a dignidade, mas neste caso a palavra faz mais sentido, porque neste caso não está conectada ao quanto se ganha. Estaria relacionada com o "como" se ganha, mas isso já será tema para outras conversas.

sábado, dezembro 02, 2017

Investigadores e indústria

Há qualquer coisa que não bate certo na articulação entre a I&D e a indústria. Se por um lado o governo vai contratar 3000 investigadores, que fazem principalmente investigação fundamental, como irá essa investigação "ligar" a uma indústria maioritariamente de PMEs que não vão além de uma evolução tecnológica, modernização, e em alguns casos alguns produtos novos fruto de imaginação mais do que ciência? Ao vermos notícias na televisão sobre emprego, vemos imagens de trabalhadores em empresas de "baixa" tecnologia, como sendo a indústria têxtil, metalomecânica e alimentar. Num artigo no público hoje vem a problemática dos investigadores que vão ser contratados não transmitirem os seus conhecimentos por não serem professores. A investigação que fazem os professores também não é eficientemente transmitida e se o for, não encontrará terreno fértil na indústria para florescer, por a indústria não estar preparada, ou por serem PME's de baixa tecnologia, como já referido, ou por serem multinacionais que fazem a sua investigação noutros locais, resumindo-se o trabalho cá em Portugal a tarefas comandadas de fora. E se houver contribuição da parte dos alunos que aí encontraram emprego, será aproveitada "lá fora" e não cá em Portugal. Essa é a realidade que transparece quando se analisa o espetro de empresas existente em Portugal, com base no know-how, patentes, projetos de I&D, número de doutorados em empresas, entre outros dados. Como resolver este problema aparentemente sem solução a curto/médio prazo? Fala-se na reestruturação do tecido empresarial. Como? Só se for com investimento estrangeiro que também vai ser difícil por preferirem outras paragens de não de obra mais barata ou em regiões mais próximas do centro da Europa por questões de proximidade. Então foge-se para o turismo como salvação da economia. Mas turismo não necessita de I&D! É realmente necessário o governo parar para pensar e fazer um plano a longo prazo, e não medidas avulso como esta de contratar 3000 investigadores.

domingo, novembro 19, 2017

Os professores são todos iguais nos seus direitos de progressão temporal?

Os professores do ensino secundário de novo nas notícias. Não pelo sucessos que têm, ou pelo sucesso das escolas em que lecionam, que teimam em permanecer nos últimos lugares do ranking deixando os primeiros lugares para as escolas privadas. Não, ao contrário de outras profissionais, incluindo os professores universitários, que são notícia quando investigam e descobrem novos produtos ou contribuem para a descoberta de novas vacinas, os professores do ensino secundário são notícia quando conseguem derrotar governos, e mesmo deitá-los abaixo, com a sua força bloqueadora que pode afetar seriamente o ensino das crianças e jovens portugueses. Com a educação em risco, os governos cedem. Mais uma vez, depois de ceder na integração de precários e o de professores contratados mas não vinculados, o que seria justo se houvesse avaliação destes professores, cede agora na progressão com base no tempo. Enquanto outros funcionários públicos incluindo aqueles que partilham o espaço das escolas com os professores, progridem com base na avaliação, os professores não admitem ser avaliados. Tem sido assim com sucessivos governos. Os professores universitários, por outro lado, têm as duas formas de melhorar os seus rendimentos. Um é o da progressão na carreira com base em concursos para subida para lugares do quadro imediatamente acima, como seja de Professor Auxiliar para Professor Associado, e assim sucessivamente até chegar a Professor catedrático. Outra forma de rendimento é a de tempo de serviço contabilizado nos escalões, de 5 em 5 anos (o dos professores o secundário é de 4 em 4 anos, vai-se lá saber porquê). Esta progressão que tinha sido congelada para todos desde 2009, foi acordada agora pelo governo como sendo já contabilizada a partir de 2018. E a dos professores universitários? Não me parece que a FENPROF tenha incluindo estes professores no acordo. Nunca o fizeram em negociações anteriores, não o terão feito agora. E o governo? Finge que esta progressão, congelada da mesma forma que para os professores do secundário, e já agora também para os do ensino básico, não existe. Como esta classe de professores não tem a mesma força nem tem passado de reivindicações, o governo estará tranquilo. Resta saber se o governo considera que os professores têm todos os mesmos direitos, ou se uns têm mais direitos que outros por serem "mais ruidosos".

terça-feira, outubro 24, 2017

O novo mandato

A UM tem um novo reitor a partir de hoje, Rui Vieira de Castro. A UM tem 19,000 alunos o que a faz uma das maiores do país. Tem necessariamente um impacto na região onde está inserida. Este reitor tem um tarefa à sua frente que não é fácil, fazer com que a UM tenha um impacto real na sociedade nos próximos anos. Com a autonomia da UM, e agora que é uma Fundação pública de direito privado, terá que provar que merece esse estatuto. Tem que manter mais de 50% de receitas provindas do exterior tais como verbas de projetos de I&D financiados pela UE. Mas o maior desafio, na opinião da sociedade, é que forme licenciados e mestres que transformem o País e nomeadamente o norte do país, numa sociedade moderna e produtiva. A região não pode continuar a perder pessoas para o estrangeiro, sejam licenciados, mestres e doutores que rumam a outras Universidades para prosseguirem a sua carreira de investigação, perdendo-se a possibilidade de inovação nas empresas que pelo menos alguns destes cientistas trariam, ou sejam os que não têm um curso superior mas que são essenciais para o tecido produtivos. Com cursos intermédios profissionais, de eletricidade, mecânica, informática, entre outros, estes profissionais estão aptos para outros empregos menos qualificados mas tão importantes para o tecido produtivo como os licenciados ou mestres. São todos necessários. A Universidade responde pelos licenciados, mestres ou doutores, mas também tem responsabilidades indiretas sobre os outros, por ser determinante na sobrevivência do tecido produtivo que empregaria estes profissionais. Outros países mais avançados já o fizeram durante épocas, tendo agora uma estrutura que atrai os trabalhadores portugueses, não tendo Portugal essa capacidade. Em Portugal, houve durante épocas uma preguiça mental que levou a que ficássemos para trás na (r)evolução industrial. O que antes era de menos, agora é de mais, tanto assim é que a I&D que se faz nas universidades ultrapassa o que as empresas portuguesas têm capacidade para assimilar. Perde-se assim mais uma oportunidade de dar o salto qualitativo. Os reitores não podem fazer grandes alterações na orgânica e no caminho a seguir pelas universidades, nem no caso das Fundações- O RJIES tratou disso, fazendo com que ninguém possa liderar reformas. O Conselho Geral apoia o reitor, sendo a sua lista a maioritária. No entanto quem de facto manda é quem está mais perto dos departamentos e centros de investigação, que são as Escolas. Mesmo assim, se for um reitor determinado a por a universidade a trabalhar para a sociedade, conseguirá influenciar os vários órgãos da universidade nesse sentido. Cursos mais relevantes à sociedade e nomeadamente à indústria de amanhã, seria um começo.

sexta-feira, setembro 29, 2017

O financiamento desiquilibrado nas universidades

O Ensino superior continua sem financiamento suficiente para evoluir e até manter a qualidade dos seus cursos. Não há verbas para compra de equipamento, que em alguns departamentos não são substituídos há décadas. Em contraciclo, nas últimas décadas tem vindo a aumentar e muito o financiamento à investigação. Não que não seja importante, mas quando se colocam as duas vertentes num plano tão desigual em termos de financiamento, temos como consequência o que está a ser a evolução do País, com doutorados e pós-docs a mais, muitos emigrando por não terem onde praticar o que aprenderam nos anos de investigação. A contribuição nacional neste esforço de investimento em I&D comparticipado pela CE, é desajustado em relação ao esforço de apoio ao ensino no ensino superior. O resultado do investimento em I&D tem resultados obscuros, não se vislumbrando ao longo dos anos uma evolução no nível tecnológico do país, nomeadamente em zonas industriais no norte do País, onde ainda predominam as indústrias tradicionais, têxtil e do calçado. Mesmo estas indústrias são prejudicadas quando os engenheiro que saem das Universidades não têm a componente prática essencial à sua integração rápida na indústria a à evolução e modernização destas indústrias, mais evidente na têxtil que no calçado. Fala-se também no aumento exponencial dos alunos estrangeiros, que são na sua maioria brasileiros, que levam consigo uma imagem de departamento depauperados, equipamentos antiquados e pessoal, nomeadamente docente, já com idade próxima da reforma, tudo devido ao subfinanciamento do setor. Será esta a imagem que queremos para o ensino superior dentro e fora do País? Se algumas universidades e departamentos que apoiam os setores industriais, sejam as indústrias transformadoras sejam as de construção civil, vivem do que alcançaram no passado, na formação de quadros que ajudaram a construir estas indústrias , agora podem ajudar a descredibilizar essa mesma indústria se não se modernizarem e investirem no rejuvenescimento do seu pessoal docente. O governo e particularmente o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, devem começar a pensar no desenvolvimento da indústria para onde vão estes engenheiros e não tanto na investigação, nomeadamente aquela I&D "sem consequência", e devem alterar a sua política de investimento no ensino superior, investindo mais nos cursos e menos em I&D, pelo menos enquanto não houver um equilíbrio entre os dois vetores.

segunda-feira, setembro 18, 2017

As praxes sem controlo

Agora que as féria acabaram e as aulas começaram, temos as notícias do costume no que respeita ao ensino superior. Número de alunos que entraram, que este ano subiu enchendo a maior parte dos cursos, e a praxe. Vamos à praxe. Todos os anos há abusos nas praxes, e todos os anos comentamos esses abusos e lamentamos que quase tudo fique na mesma. Este ano não vou fazer comentários sobre os alunos. A prática da praxe já está enraizada, muito por culpa e complacência das Universidades, e para acabar com a praxe teriam que se tomar providências que afetariam toda a estrutura estudantil. As universidades não teriam coragem de fazer um "clean start" que seria necessário para alcançar o fim da praxe. Também teria que haver uma mudança de mentalidades dos alunos, o que não é possível num curto espaço de tempo. Por isso é melhor as universidades não terem a veleidade de poder fazer mudanças profundas agora. Limitem-se a impedir o pior das praxes evitando abusos maiores e não façam promessas que cheiram a propaganda. Se querem acabar a sério com a praxe, iniciem desde já um programa sério de reuniões, workshops, para talvez para o ano se iniciar um ano diferente, com um ano de transição para uma universidade sem praxes. Já muito foi dito das praxes e das tradições académicas. Elas complementam-se, e a praxe escuda-se muito nas tradições. No caso da maior parte das universidades as tradições são muito recentes e baseiam-se já na iniciação dos alunos e não propriamente em tradições académicas. A praxe é muito baseada no respeito pelas hierarquias, ou melhor, na submissão dos mais novos aos mais velhos. Nos colégios privado ingleses, os alunos têm uma hierarquia em que há prefeitos que tem poder sobre os alunos mais novos. Este sistema foi imitado por muitos colégios em muitos países, incluindo Portugal. Mas os alunos têm este sistema instituído dentro dos regulamentos dos colégios e ele é controlado à distância pelos professores, que mantêm um certo equilíbrio que protege na medida do possível os mais novos. Quando passamos para o nível do ensino superior, esta proteção desaparece e os alunos mais novos, os caloiros, ficam à mercê dos mais velhos, o que pode originar situações de humilhação para os caloiros que podem deixar sequelas. Quem se importa com isso? Só quando há uma desgraça, porque de resto a "caravana passa e os cães ladram" sem mordiscarem nem um pouco a estrutura da praxe.

segunda-feira, agosto 14, 2017

As férias dos outros

As férias estão à porta e com elas as pequenas coisas que nessa altura do ano irritam. Queremos praias e para chegar lá temos que ir para a fila. Na praia, temos que procurar um lugar no meio de uma multidão para colocar a toalha. Nos restaurantes, temos as filas e a lentidão do serviço. Á noite, o barulho dos altifalantes de bares e pessoas já alcoolizadas se estivermos a falar do Algarve. Noutros locais, temos as festas de verão que é melhor nem falar....para não ofender os que gostam. Enfim, é melhor se calhar ir para outras paragens mais sossegadas. É o que vou fazer este ano, não me livrando no entanto do caos dos aeroportos. Será que não podiam todos fazer férias repartidas como se sugeria há uns anos atrás? Aposto que haveria quem se queixasse de não haver precisamente todos estas chatices que para alguns são o essencial de se sentirem de férias. Ler um livro? Os mais jovens não sabem o que isso é e preferem as redes sociais nos telemóveis enquanto se bronzeiam ou esperam em restaurantes ou outros locais como sendo na praia, piscina ou outras zonas de lazer. Se não os acompanharmos, será que corremos o risco, nós os de outra geração anterior às redes sociais, de ficarmos noutra órbita e nunca fazermos parte das suas vidas? O tempo o dirá.

domingo, julho 23, 2017

As eleições para reitor e um RJIES que engana

No dia 13 de Julho foram anunciadas as eleições para reitor da UM a realizar em Outubro. Podem-se candidatar Podem candidatar-se ao cargo de Reitor, os professores/professoras ou investigadores/investigadoras doutorados/as da Universidade do Minho ou de outras instituições de ensino universitário ou de investigação, nacionais ou estrangeiras, em exercício efetivo de funções. Mas quem vota? O Conselho Geral. Sabemos que nas eleições para o Conselho Geral se delineavam candidatos a reitor nas duas listas que concorreram, tendo um deles expressamente indicado essa sua intenção, Nada que não se tivesse passado em eleições anteriores. O que isto indica e que no passado foi comprovado, é que os membros do Conselho Geral de listas ligadas a estes candidatos, votam neles, não sendo previsível qualquer voto num candidato de fora. Então para quê esta regra no Regulamento do Ensino Superior, o RJIES, que todos sabem que não tem qualquer consequência? Será para iludir os meios de comunicação social e o público em geral que o processo é ultra-abrangente e democrático? O atual ministro lá saberá pois ele foi um dos mentores deste regulamento. É mais uma incongruência do RJIES, mas esta em particular é mais publicitada que outras, sendo que pode induzir em erro candidatos desprevenidos no estrangeiro, que não conhecem este viciamento das regras por parte do RJIES e que são publicamente humilhados com zero número de votos ou muito próximo do zero. Como dizia Herman José num dos seus sketch: não havia necessidade.