segunda-feira, julho 15, 2019

SNS e ADSE


Tem sido notícia constante o Serviço Nacional de Saúde. È criticado por não ter capacidade para responder às necessidades dos utentes. Filas de espera para consultas e cirurgias cada vez mais longas, maternidades a fechar por falta de médicos em determinadas zonas do País, como o Algarve e até a maternidade Alfredo da Costa (parcialmente) em Lisboa, o que é surpreendente uma vez que se pensava que só na periferia poderia acontecer. O que se passa é que os hospitais públicos recrutam mais médicos que o SNS por oferecer melhores condições remuneratórias e melhores condições de trabalho, Os seguros financiam os hospitais privados e isso é normal. O que não se entende é que a ADSE com o dinheiro público, ou seja, dos funcionários públicos, financiem também os hospitais privados. O mesmo Estado que se queixa de perder médicos, e também enfermeiros, para o setor privado, está a financiar indiretamente esse mesmo setor privado. Muitos de nós, professores, contribuímos mais que outros para a ADSE, ao que se chama solidariedade para com os outros que contribuem menos por ganhar menos. Tudo isto porque a taxa de 3,5% ser igual para todos, o que se tornou muito pesada para os salários mais altos dentro da Função Pública. Esta solidariedade também existe nos impostos mais altos que os que ganham mais, pagam. Se todos entendemos que aqueles que têm salários mais baixos devem ter de facto redução nos seus impostos para terem uma vida mais digna em termos financeiros, não se entende como é que aqueles que estão no meio da tabela, devem receber dos que estão no topo também essa solidariedade. Ao agravar os impostos e as taxas ADSE, já para não falar da segurança social, por esta via, chega-se ao resultado perverso de a partir de uma determinada remuneração não valer a pena subir mais. Não vale a pena o esforço, pois acaba-se por ter tudo agravado em matéria de contribuições ao Estado. Isto repercute-se depois na acomodação daqueles que estão a meio da tabela, que desacelera, a partir de uma determinada posição na tabela salarial, não se preocupando muito em evoluir nem se preocupando nas consequências que tal atitude tem na instituição, neste caso na Universidade. Os Professores Auxiliares ficam-se por ali, progredindo nos escalões sem se esforçarem muito, como já foi aqui, neste espaço de opinião, referido. Não fazem investigação a sério, limitando-se a fazer os mínimos requeridos pela avaliação docente (RAD). Mas adiante e voltemos ao SNS e ao setor privado da saúde. Qual seria então a melhor forma de colocar a ADSE ao serviço do SNS? Haveria muitas formas de o fazer, mas não se faz porque, assim é mais fácil. Empurrar os doentes para fora, sem ter que se chatear com eles, e ao mesmo tempo aliviar o SNS com milhares de utentes a dirigirem-se a estes hospitais provados, com acordo com a ADSE, em vez de engrossarem as filas de espera nas consultas e cirurgias. O que não faz é desviá-los das urgências, porque estas não são rentáveis para o setor privado e só o Estado é que o comporta, porque.... alguém tem que o fazer.